
10/02/2026 às 06:13
Oi, oi, gente, amiga desse nosso programa, que neste 10 de fevereiro celebra o Dia da Internet Segura, por mais estranho que pareça falar em segurança na internet nesses tempos que estamos vivendo de tantos golpes. Mas essa data não é fixa no calendário. Ela é sempre comemorada na segunda terça-feira de fevereiro. E neste 2026, a data oficial 10 de fevereiro marca a 18ª edição da campanha no Brasil.E que campanha é essa? Ela visa a promoção do uso ético, seguro e responsável das tecnologias digitais.Então, com foco nessa conscientização sobre segurança digital, nós vamos conversar com a doutora Tamara Anzai, advogada empresarial e sucessória associada da IBDFAM, que é uma organização voltada justamente para os direitos das famílias. Seja muito bem-vinda, doutora Tamara Anzai. Vamos lá falar sobre essa conscientização que a gente precisa trabalhar muito para evitar perdas e danos, porque é muito difícil nesse ambiente digital, a gente conseguir a tão sonhada segurança, a privacidade na garantia da nossa cidadania online. Isso porque até os nossos dados pessoais estão sendo alvo dos criminosos de plantão.

"É, Mara, é difícil, porque a internet não é sempre tão segura quanto ela promete. Isso, por si, torna uma boa reflexão para a gente, porque a nossa tecnologia evoluiu muito, mas o comportamento nem tanto. A gente acaba dando CPF na hora de comprar um pãozinho e isso acaba deixando a gente vulnerável para todos os inscritos que envolvem engenharia social."
É verdade. E, infelizmente, os alvos preferenciais são as pessoas 60, 70, 80 mais.
"Infelizmente. A consciência delas a respeito de dispositivos de internet acaba sendo um pouco menor do que as pessoas que já nasceram com esses dispositivos na mão, que já sabem, jogar para cima e jogar para baixo, dar o like, e as pessoas acabam abrindo arquivos maliciosos e falando coisas maldosas no celular e ficando mais vulneráveis por conta de não ter nascido com o celular na mão. "
É uma outra linguagem, inclusive, uma percepção de mundo muito diferenciada. E, nesse contexto, devemos atenção especial às crianças.
"A atenção muito especial às crianças, Mara, justamente porque a gente acaba compartilhando também fotos das crianças e, hoje, com o uso da inteligência artificial, a gente acaba por ter as crianças vulneráveis, a imagem dessas crianças e abrindo porta para outros tipos de crimes, muito mais graves. "
No dia a dia do seu trabalho, frente à defesa dos direitos das famílias, essa questão ligada à internet é recorrente?
" Acontece bastante, Mara, porque a família continua sendo a principal regra de proteção social. E, quando ela espalha, o estado precisa entrar. E, como advogado, a gente precisa possibilitar e instrumentalizar esses direitos que são violados por esses criminosos."
E, agora, vamos falar das providências, porque, objetivamente, quem é vítima dessa internet insegura, até mesmo aquele vizinho desavisado que vê uma chance de acionar a internet às custas de quem está pagando. Também existe isso, né? O roubo do sinal. Queria que a doutora compartilhasse algumas dicas que possam prevenir, porque é sempre melhor do que remediar, né?
"Sim, Mara, prevenir é sempre melhor do que remediar. O que eu digo é que a gente hoje vive uma dicotomia e é até irônico isso, porque a gente nunca perde tanta informação, mas, ao mesmo tempo, essa informação nunca foi tão tóxica para o ser humano. Hoje, a gente tem toda essa internet ao clicar de um dedo, você consegue descobrir, por exemplo, qual é a dose de um antibiótico correta para o filho do seu filho, mas, ao mesmo tempo, você tem os seus dados vulneráveis, né? Então, assim, eu diria que são práticas simples que nós poderíamos adotar no nosso dia a dia que seria uma desconfiança saudável. Nem tudo que chega rápido merece uma resposta rápida, né? A gente precisa sentar, analisar e entender porque o golpe vive dessa urgência. Não é uma decisão que você vai tomar amanhã ou depois de amanhã. Ele quer uma decisão de cinco minutos. Então, a ideia seria você ter essa desconfiança saudável parar um pouco, pensar e ver se aquilo mesmo, aquela situação, é aquilo que só se propondo para você. Conversa com outra pessoa, expõe aquilo, porque os nossos dados estão no Google, né? Hoje você digita seu nome completo, muito provavelmente você não precisa acessar um banco de dados para descobrir os números do seu CPF. Ter uma exposição mínima, né? Cuidar o quanto você se expõe, o quanto de fotos você coloca, sair dos locais de postar após sair, ter uma exposição, essa exposição sendo o mínimo possível, porque o que circula não volta para você em termos de localização, né? E cuidar muito das suas senhas, do seu acesso, não anotar as senhas num papelzinho, não colocar as senhas fáceis, como data de nascimento, o nome dos filhos, ter aquela segurança e sempre ter palavras de segurança com pessoas conhecidas. 'Olha, se eu te falar tal coisa, isso deu errado, me ajuda'. E ter consciência também que, assim como o golpista, ele vive do rápido, a justiça e outras entidades são lentas, né? Confiar também das chamadas de vídeo que hoje as pessoas conseguem não só falar que seu filho foi sequestrado, como mostrar uma foto do seu filho para você ou até um vídeo do seu filho falando. Então ter cuidado, verificar, fazer um duplo cheque, verificar se a pessoa está lá mesmo ou não, fazer aquela desconfiança saudável mesmo. Eu acho que seria isso, uso consciente, na área de todas as suas ferramentas, se porém se usadas para o bem, mas também se usadas para o mal."
Pois é. Até Santos Dumont, quando criou o avião, só tinha boas intenções e quando soube que a criação dele foi utilizada para a guerra, acabou suicidando-se. Mas enfim, eu gostaria de falar ainda dessas tecnologias que estão chegando numa velocidade estonteante, como, por exemplo, os óculos inteligentes. Parece que esses óculos estão prestes a entrar no mercado com tecnologia de inteligência artificial. E aí a gente chega num outro desafio, porque até o Google está se planejando para se integrar à inteligência artificial em todos os seus produtos, e principalmente atuando no ramo do comércio. Então, como fazer uma adaptação no nosso comportamento diário, frente à internet, para se adaptar a essas mudanças tão velozes?
"Eu acho que isso já é uma realidade para a internet e esses óculos de inteligência especial eles pareciam coisas que são científicas, mas eles já estão no cotidiano da gente, a gente já está sendo captado sem saber. Hoje existem muitos flagrantes, porque as pessoas estão sempre com o celular na mão, então se acontecer alguma coisa, um assalto, provavelmente sim alguém ali com uma câmera para filmar. Então a questão, eu diria que não é só sobre se adaptar, é aceitar que a realidade é essa hoje, a gente não tem mais muito como fugir, não tem como proibir os óculos, mas regular como e para quem deve ser usado, como você falou sobre o avião, ele não deve ser usado para fins irresponsáveis, mas para as pessoas usarem fins responsáveis, para alguma questão de extra responsabilidade, eu diria para as pessoas com deficiência para mais inclusão, enfim, para as pessoas poderem entender onde estão, porque já é uma realidade, a gente precisa regular como e para quem é usado. "
Vamos lá, em nome de uma internet segura, vamos trabalhar bastante essa educação para o uso dessas novas tecnologias e que elas nos poupem da ameaça de que irão substituir a inteligência humana. Doutora Tamara Anzai certamente não acredita nisso, não é?
"Olha, eu vou te falar, eu acredito que muita coisa vai ser substituída, mas vai mudar muito a forma como a gente faz as coisas, mas eu tenho que falar uma frase: que não é a inteligência artificial ou a tecnologia que vai te substituir, é quem sabe usar as ferramentas corretas."
Essa é a chave, é o gatilho, é a senha! Então, eu agradeço muito, Doutora Tamara Anzai, pela sua participação no nosso programa. Um abraço a toda equipe do IBDFAM, que é justamente esse Instituto Brasileiro dos Direitos das Famílias, e estamos aí na conexão permanente, tentando acompanhar essa tecnologia que faz com que a gente tenha vontade de parar o mundo para descer, porque é muita coisa para a gente aprender num curtíssimo espaço de tempo, não é?
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