
16/01/2026 às 20:58
Em São Paulo, neste mês de janeiro, choveu menos de 30% do esperado. E o Sistema Cantareira, que abastece cerca de nove milhões de pessoas – mais da metade da região metropolitana, está com o nível de reservatório abaixo de 20% - o menor desde a crise hídrica de 2014.

O sistema entrou na chamada faixa de restrição no mês de outubro de 2025, quando atingiu menos de 30% da capacidade, e a quantia de água retirada do reservatório diminui para 23 metros cúbicos por segundo - a vazão em condições normais é de 31 metros cúbicos por segundo.
Adriana Cuartas, hidróloga e pesquisadora do Cemaden, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, ressalta que a situação atual é preocupante, pois neste período de chuvas, o nível dos reservatórios deveria estar em recuperação, mas continua em queda.
Apesar das chuvas recentes e previstas para os próximos dias, Adriana Cuartas explica que o abastecimento dos reservatórios não acontece de forma imediata.
“O que está no reservatório não é o que vai acontecer hoje. É algo histórico, isso acumula. Não é o que cai em São Paulo. Precisa cair nas áreas de captação para chegar no reservatório. E, como a chuva está acontecendo de maneira muito irregular, não necessariamente está chovendo o suficiente naquelas áreas”.
O Cemaden fez uma projeção de cenários para o abastecimento de água em São Paulo nos próximos meses considerando se chover na média, abaixo ou acima até o mês de março. A pesquisa indica que, mesmo chovendo na média esperada, o armazenamento subiria para 40% da capacidade, o que ainda é considerado pouco para atravessar seis meses de estação seca até setembro.
Segundo o boletim diário da ANA, a Agência Nacional de Águas, no dia 16 de janeiro do ano passado, o volume útil armazenado no Sistema Cantareira era de cerca de 50%. Nesta sexta-feira (16) é de pouco mais de 19%.
Para o Cemaden, o estado de São Paulo já deveria ter iniciado o racionamento de água no mês de dezembro. No final de 2025, o órgão já havia divulgado uma nota técnica com análise de outubro a dezembro na região sudeste, com destaque para o estado de São Paulo, e mostra que o quadro de seca se relaciona principalmente à redução e à irregularidade das chuvas.
Em nota, a Agência Nacional de Águas informou que a faixa atual de operação do Sistema Cantareira segue o volume armazenado no último dia útil de cada mês. Se o volume constatado no dia 31 de janeiro estiver abaixo de 20%, a faixa de operação será atualizada para a chamada faixa especial, e a captação de água será reduzida para até 15 metros cúbicos por segundo.
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