28/08/2025 às 16:33
Valorização da soberania e do multilateralismo. Esses foram alguns dos temas da conversa entre o presidente Lula e o presidente do Panamá, José Raúl Mulino. O encontro aconteceu nesta quinta-feira (28), no Palácio do Planalto, em Brasília.
Mulino veio ao Brasil a convite do presidente Lula, que defendeu um comércio internacional em via de mão dupla.
"Eu defendo a relação entre dois países. Ela tem que ser uma via de duas mãos, aonde todos possam ganhar. Não pode haver uma relação em que um país tenha um déficit comercial muito grande com outro, porque isso cria muita dificuldade na relação. Reafirmamos o compromisso com o multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e a integração regional. Isso é particularmente relevante em um dos momentos mais críticos da história da região. O comércio internacional é utilizado como instrumento de coerção e chantagem".
A declaração foi dada após o encontro entre os dois líderes, que foi a portas fechadas, na qual ambos assinaram um “memorando de entendimento de cooperação entre o Ministério dos Portos e Aeroportos e a Autoridade do Canal do Panamá”, para “otimizar as exportações brasileiras e modernizar a operação” dos portos nacionais.
"Tentativa de restaurar antigas hegemonias coloca em choque a liberdade e a autodeterminação dos nossos povos. A ameaça de ingerências pressiona instituições democráticas e compromete a construção de um continente integrado, desenvolvido e autônomo. O Brasil apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o canal, conquistada após década de luta. Há mais de 25 anos, o país administra o Corredor Marítimo com eficiência e respeito à neutralidade, garantindo o trânsito seguro a navios de todas as origens".
O Canal do Panamá é uma hidrovia artificial de 82km, que liga os oceanos Pacífico e Atlântico. A via é administrada pelo Panamá, mas desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump alega questões de segurança nacional e ameaça retomar o controle da hidrovia. O Brasil é hoje o 15º maior usuário do Canal.
A pouco mais de dois meses para a COP 30, em Belém, Lula reforçou o convite feito a Mulino para participar da cúpula de líderes da conferência do clima, que ele espera ser a “COP da verdade”.
"Nós temos que saber nessa COP quem é que está preocupado com a questão climática. Se os governantes acreditam ou não naquilo que a ciência fala, naquilo que está acontecendo no mundo. Encorajei o presidente Mulino a se somar ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que lançaremos na COP 30. Reiterei o convite para o presidente comparecer a Belém para a gente responsabilizar quem quer defender o nosso planeta".
Depois do encontro, Lula parabenizou o presidente do Panamá pela compra de quatro aviões Super Tucano da empresa brasileira Embraer. As aeronaves têm alta tecnologia e vão reforçar as atividades de monitoramento e vigilância no país centro-americano.
Lula também mencionou a parceria do serviço de saúde panamenho com a Fiocruz, que vai ampliar a produção de vacinas do país. Durante o encontro, Lula e Mulino também dialogaram para avançar nas negociações de acordos comerciais. No ano passado, Brasil e Panamá movimentaram quase US$1 bilhão no comércio bilateral.
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