06/10/2026 às 09:49
Hugo Motta ‧ Foto: Divulgação
O resultado das eleições de 2026 redesenhou a Câmara dos Deputados e já começa a produzir uma disputa que ultrapassa a composição das bancadas: quem terá força para comandar a Casa a partir de 2027. Nesse cenário, a nova configuração partidária aparece, pelo menos inicialmente, mais favorável à permanência do paraibano Hugo Motta (Republicanos) na Presidência da Câmara.
O PL, ligado ao campo bolsonarista, conquistou a maior bancada, com 121 deputados. O tamanho do partido, porém, não significa, por si só, controle da Câmara. O fator decisivo será a capacidade de formação de maioria.
É justamente nesse ponto que Motta parte em vantagem. Os partidos classificados no levantamento como Centrão somam 234 cadeiras: União Progressista, com 87; Republicanos, com 41; PSD, com 43; MDB, com 36; e Podemos, com 27. São legendas que já apoiaram Motta na eleição para a Presidência da Câmara, em 2025.
A equação pode ficar ainda mais favorável caso a federação formada por PT, PCdoB e PV, que elegeu 88 deputados, mantenha apoio ao atual presidente. Para vencer a eleição da Câmara, são necessários 257 votos.
Na prática, a nova composição indica que Motta poderá construir uma maioria superior a 300 votos caso consiga preservar a aliança com o Centrão e incorporar setores da esquerda. A estratégia também teria um componente político: evitar que a Presidência da Câmara seja ocupada por um nome diretamente identificado com o bolsonarismo.
O que muda para a Paraíba
Para a Paraíba, a discussão ganha dimensão nacional porque Hugo Motta chega à nova legislatura novamente no centro das articulações políticas de Brasília. A permanência no comando da Câmara ampliaria sua influência sobre a pauta legislativa e sobre as negociações entre governo, oposição e partidos do centro.
O cenário, entretanto, ainda é uma fotografia inicial da composição que emergiu das urnas. A eleição para a Presidência da Câmara depende das negociações entre as bancadas, e os números eleitorais não significam necessariamente votos fechados para qualquer candidato.
O principal dado político neste momento é outro: o PL terá a maior bancada, mas o Centrão, somado a uma eventual aliança com a esquerda, possui potencial para formar uma maioria capaz de manter Hugo Motta no comando da Câmara.
Por Pereira Júnior

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