27/05/2026 às 08:07
André Gadelha ‧ Foto: divulgação
As articulações em torno da disputa pelo Senado Federal na Paraíba começaram a expor desconfortos dentro do próprio grupo político ligado ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB). Durante entrevista concedida nesta terça-feira (26), o deputado estadual André Gadelha (MDB), que também é pré-candidato ao Senado, comentou os movimentos de aliados governistas que passaram a defender o nome do ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), para ocupar uma das vagas na chapa majoritária de 2026.
Mesmo admitindo incômodo com os bastidores da construção política, André Gadelha reforçou que permanece alinhado ao projeto liderado por Cícero Lucena e pelo senador Veneziano Vital do Rêgo. Segundo ele, sua entrada na disputa não teve motivação individual, mas coletiva.
“Às vezes a gente fica sentido. Porque nós aceitamos o projeto, nós aceitamos o trabalho que será feito pelo novo governador Cícero Lucena, porque acredito no projeto. Eu aceitei o convite de Veneziano de fazer parte da majoritária e eu não pensei em André, eu pensei no grupo”, declarou.
Ao defender sua permanência no projeto político do MDB, André afirmou que abriu mão de interesses familiares e eleitorais para fortalecer a composição partidária. O parlamentar revelou que poderia ter incentivado uma candidatura do filho à Assembleia Legislativa, mas preferiu priorizar o grupo político.
“Eu poderia ter colocado o meu filho para ser deputado estadual e aí muitos poderiam dizer: ‘Ah, ele é candidato ao Senado para eleger o filho deputado estadual’. Eu abri mão de tudo isso por um projeto de governança”, afirmou.
Durante a entrevista, André também destacou que acredita na expansão do modelo administrativo implantado por Cícero Lucena em João Pessoa para outras regiões do estado. Segundo ele, o crescimento da Capital fortalece o discurso político do grupo para a disputa estadual de 2026.
Nos bastidores eleitorais, o deputado ainda fez críticas ao que classificou como pressão financeira sobre lideranças políticas do interior e afirmou que a disputa vem sendo marcada por forte influência econômica.
“São lideranças sendo peitadas com dinheiro que a gente só vê em filmes. Mas Deus pega o pequeno e mostra aos grandes que ele existe”, disse.
Apesar de reconhecer que entrou mais tarde na corrida pelo Senado, André afirmou confiar no apoio popular e disse ter encontrado receptividade durante agendas políticas pelo interior da Paraíba.
“Eu já vi muitas eleições em que candidatos não tinham prefeitos, tinham o povo, e ganharam eleição”, pontuou.
Questionado sobre uma possível aproximação entre Cícero Lucena e Nabor Wanderley para composição da chapa, André minimizou a hipótese e declarou que o prefeito de João Pessoa tem reafirmado apoio ao seu nome dentro do MDB.
“Cícero já sabe. Cícero tem cravado o meu nome em todos os lugares que tem passado. Até porque eu sou do MDB”, afirmou.
Na entrevista, André Gadelha também destacou a atuação do vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), apontando o socialista como peça importante na construção do projeto político para as eleições de 2026.

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