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Helder evita retaliação política, mas admite que urnas deixaram recados para o grupo

“Agora, realinhamento eu vou fazer. Anunciei agora: eu vou fazer não só por esse critério, mas por critérios de gestão”

Por Pereira Jr. • Articulista Polí­tico

16/10/2026 às 11:39

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Coletiva de Imprensa ‧ Foto: Divulgação

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O prefeito de Sousa, Helder Carvalho, utilizou a entrevista coletiva desta sexta-feira (16) para fazer uma leitura política do resultado das eleições estaduais no município. Ao agradecer a votação obtida pelos candidatos de seu grupo, o gestor também falou sobre divergências internas, descartou uma reação baseada apenas em critérios eleitorais e sinalizou que o resultado das urnas poderá influenciar os próximos movimentos políticos do grupo.

Helder iniciou a entrevista destacando o desempenho dos candidatos apoiados por sua gestão, entre eles Lucas Ribeiro para governador, João Azevêdo e Nabor Wanderley para o Senado, Lindolfo Pires para deputado estadual e Fábio Tyrone para deputado federal.

Segundo o prefeito, Sousa apresentou resultados expressivos para o grupo e, por isso, não seria correto atribuir eventuais derrotas exclusivamente a movimentações políticas locais.

“Eu só tenho que agradecer o povo de Sousa. Nós batemos recordes com todos os nossos candidatos, com Tyrone, com Lindolfo, com João, com Lucas e com Nabor.”

Helder fala em “grito das urnas” e anuncia avaliação da gestão

Apesar do tom de agradecimento, o prefeito reconheceu que o resultado eleitoral também produziu sinais que precisam ser avaliados. Helder afirmou que haverá um realinhamento administrativo, mas fez questão de separar a avaliação da gestão das disputas eleitorais.

“Agora, realinhamento eu vou fazer. Anunciei agora: eu vou fazer não só por esse critério, mas por critérios de gestão.”

Na avaliação do prefeito, a administração não pode funcionar condicionada às escolhas eleitorais de cada integrante. Ele também afirmou que eventuais mudanças não serão tomadas como forma de retaliação.

“Se houve pontualmente algum ponto ou outro que tem que ser corrigido, vai ser corrigido. Eu só não vou estar, antes da eleição, com chicote atrás do cabo ameaçando.”

Helder citou ainda o afastamento de dois integrantes do governo e negou que as decisões tenham ocorrido por motivos políticos.

“Nós afastamos duas pessoas do governo. Não foi por questões políticas, foi por desrespeito, por afronta. Ora, como é que se participa num cargo de confiança e você desrespeita o seu projeto? Foi por afronta, não por questão política. E os dois sabem disso.”

Tyrone e a decisão de permanecer no PSB

Um dos trechos mais políticos da entrevista envolveu Fábio Tyrone, que deixou a disputa sem conquistar uma vaga na Câmara Federal. Helder afirmou que o ex-prefeito de Sousa foi procurado por diferentes partidos durante o processo de escolha da legenda, mas decidiu permanecer no PSB.

O prefeito relatou que participou das conversas e chegou a alertar Tyrone sobre os riscos da decisão.

“Tyrone foi chamado para todos os partidos. Todos os partidos. Republicanos, PP, PT, PV, PSB, que é a federação. Foi um processo de construção desse diálogo.”

Segundo Helder, havia propostas envolvendo estrutura partidária e recursos para a campanha, mas a decisão final foi de Tyrone.

“Eu tenho obrigação de dizer, mas a decisão é sua. Você me perdoe, eu vou ficar no PSB. Digo: tudo bem, vamos pra luta, página virada.”

Para Helder, o resultado acabou mostrando a dificuldade enfrentada pelo candidato dentro da disputa proporcional. Na sua avaliação, o cenário também cria uma expectativa de que o ex-prefeito receba atenção política diferenciada de João Azevêdo.

“Eu acho que, nesse pleito, partidariamente falando, faltou para Tyrone. Isso é visível, isso é fato.”

E acrescentou:

“Eu acho que uma forma de compensar é realmente ele suprindo minimamente, compensando de alguma forma a ausência que Tyrone vai fazer no mandato de deputado federal e dando uma atenção redobrada, ou mais que redobrada, a Sousa.”

O que o resultado pode representar para Sousa

A fala de Helder deixa uma questão política aberta para os próximos anos. Tyrone não conseguiu a vaga de deputado federal, enquanto Lindolfo Pires manteve espaço na Assembleia Legislativa. O prefeito, porém, entende que a trajetória política do grupo não termina com o resultado de outubro.

Helder também afirmou acreditar que Tyrone poderá voltar a disputar uma vaga federal no futuro.

“A caminhada continua e eu tenho certeza que a gente vai ver, em 2030, o Tyrone nos representando e voltando ao cenário na Câmara Federal.”

Mais do que uma análise dos números, a entrevista expôs uma mudança de momento para o grupo político de Sousa. As eleições terminaram, mas deixaram decisões administrativas a serem tomadas, relações políticas a serem reorganizadas e uma nova disputa municipal no horizonte.

Helder, entretanto, procurou estabelecer uma linha entre governo e eleição ao afirmar que não pretende administrar olhando exclusivamente para alianças políticas. A mensagem central foi de que o resultado das urnas deve ser analisado, mas que o funcionamento da Prefeitura continuará sendo o principal critério para as próximas decisões.

Por Pereira Júnior

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