Sousa/PB -
eleição 2026

Cícero Lucena rompe expectativas e deixa presidenciáveis de fora da sua campanha

O que se observa é que Cícero aposta na força do palanque estadual — “o meu presidente é a Paraíba”

Por Pereira Jr. • Articulista Polí­tico

05/07/2026 às 13:01

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Imagem Cicero Lucena

Cicero Lucena ‧ Foto: Divulgação

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Cícero Lucena (MDB), pré-candidato ao Governo da Paraíba, tomou uma decisão estratégica que reflete tanto a complexidade política estadual quanto a necessidade de equilibrar relações nacionais: não vincular sua campanha estadual a nenhum dos presidenciáveis. Ao declarar que seu foco será exclusivamente a Paraíba, Cícero sinaliza uma tentativa de colocar o eleitorado estadual no centro de sua estratégia, desvinculando-se de pressões partidárias nacionais.

Essa escolha, porém, não é isenta de riscos. Ao optar por não apoiar nenhum candidato à Presidência, Cícero mantém a autonomia de sua candidatura e reforça seu discurso de independência, mas também cria um vácuo de palanque que pode ser explorado por adversários, tanto na disputa estadual quanto na articulação com aliados federais. Essa decisão precisa ser interpretada à luz do MDB estadual, que tradicionalmente mantém relações estreitas com lideranças nacionais e deve gerir diferentes interesses internos entre filiados e aliados, incluindo o senador Veneziano Vital do Rego, que mantém laços históricos com o presidente Lula (PT).

No campo eleitoral, a estratégia de neutralidade presidencial pode gerar efeitos distintos:

Positivo: reforça a imagem de liderança centrada nos interesses locais, atraindo eleitores que priorizam políticas estaduais e pragmatismo sobre alinhamentos nacionais.

Negativo: pode reduzir o engajamento de correligionários que esperavam uma orientação clara sobre apoio presidencial, potencialmente fragmentando alianças ou diluindo a mobilização de base.

Em termos de campanha, a decisão também força Cícero a se concentrar na construção de uma narrativa própria, destacando propostas e histórico de gestão, ao mesmo tempo em que precisa negociar apoios pontuais de outros partidos que podem seguir diferentes candidatos à Presidência. A neutralidade exige habilidade política para manter unidade interna e, ao mesmo tempo, transmitir confiança aos eleitores sobre sua capacidade de conduzir o Estado independentemente do resultado nacional.

O que se observa é que Cícero aposta na força do palanque estadual — “o meu presidente é a Paraíba” — para tentar criar um distanciamento estratégico que lhe permita atuar como protagonista das soluções regionais, sem depender da popularidade ou da rejeição de presidenciáveis.

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