
09/02/2026 às 13:34
O Sertão da Paraíba voltou a ocupar lugar de destaque no debate histórico e cultural com a passagem da Expedição Cariri Cangaço pela cidade de Sousa no último fim de semana. A iniciativa integra um circuito que contempla ainda os municípios de Uiraúna, Nazarezinho e Aparecida, reunindo pesquisadores, escritores, historiadores e estudiosos do cangaço de vários estados do Nordeste.
A expedição é promovida pelo Instituto Cariri do Brasil, entidade formada por cerca de 200 pesquisadores espalhados por dez estados nordestinos, e tem como proposta revisitar, nos próprios territórios, episódios marcantes da história sertaneja. Em Sousa, a imersão teve como eixo central a invasão do bando de Lampião em 1924, episódio que deixou marcas profundas na memória social do município.
Sob a curadoria de Manoel Severo, fundador do Instituto Cariri do Brasil, a equipe percorreu prédios históricos, ruas e casarões, promovendo diálogos sobre o contexto da época, o medo imposto pela presença dos cangaceiros e as consequências sociais da invasão. Entre os episódios revisitados está o caso do juiz Arquimedes Souto Maior, que teria sido alvo de humilhações e ameaças por parte do bando, em retaliação à condenação do cangaceiro Paizinho, escapando da morte graças à intervenção do coronel Emídio Sarmento.
A programação em Sousa ganhou ainda repercussão no Programa REPORTERPB No Rádio, onde Manoel Severo concedeu entrevista ao apresentador Pereira Júnior, abordando a trajetória de Lampião, o fenômeno do cangaço no Nordeste e o debate que atravessa gerações: herói social ou bandido cruel. O curador destacou que o cangaço não pode ser analisado fora do contexto de abandono estatal, coronelismo, ausência de justiça e extrema pobreza que marcaram o sertão entre o fim do século XIX e as décadas de 1920 e 1930.
A expedição também dialoga com a produção cultural contemporânea. Na sexta-feira (6), foi lançado no Memorial Antônio Mariz o cordel “Lampião e o Dragão pelejando na lua cheia”, do escritor e radialista Jackson Queiroga, membro da Academia Sousense de Letras. A obra recria, com lirismo e crítica social, o imaginário do cangaço, mantendo viva a tradição da literatura de cordel.
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Fonte: Repórter PB
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