
04/09/2026 às 18:13
O Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER) está promovendo, ao longo de todo o mês, uma programação especial alusiva ao Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre saúde mental. Na unidade hospitalar, que é gerenciada pela Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde) e integrante da rede estadual, é abordado o cuidado contínuo com a saúde mental. As ações envolvem pacientes, acompanhantes e colaboradores, e o tema da campanha é “Escutar é estar presente. Você não está só! Nós estamos juntos nessa”.
Os integrantes da Comissão de Humanização do Hospital Edson Ramalho entregaram laços amarelos alusivos à campanha e folders com informações sobre a importância de cuidar da saúde mental e buscar ajuda diante de situações de sofrimento psíquico. Também houve um momento de musicoterapia. Para os colaboradores, a programação inclui rodas de conversa, ações de autocuidado e sessões de massoterapia.
A diretora-geral do Hospital Edson Ramalho, Lidiane Nascimento, reforça que a atenção à saúde mental precisa fazer parte da cultura de cuidado da instituição durante todo o ano. “Falar sobre saúde mental é falar sobre cuidado, acolhimento e, principalmente, sobre a importância de não enfrentarmos momentos de sofrimento sozinhos. No Hospital Edson Ramalho, entendemos que cuidar de quem cuida também é uma responsabilidade nossa”, apontou.
Para ela, o Setembro Amarelo é uma oportunidade de ampliar esse olhar e criar espaços para que as pessoas possam falar, ser ouvidas e também refletir sobre suas próprias necessidades. “Ninguém precisa dar conta de tudo sozinho, e pedir ajuda é também uma forma de cuidado”, afirmou.
A campanha também busca lançar um olhar especial para os profissionais que atuam diariamente na assistência. Segundo o médico Lucas Alverga, coordenador do Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), o primeiro tema trabalhado nas rodas de conversa foi “Quem cuida de quem cuida?”, uma reflexão sobre a necessidade de os trabalhadores da saúde também reservarem espaço para o próprio bem-estar.
“O profissional de saúde tem o pensamento de estar bem para cuidar dos outros, mas esquece do autocuidado, de fazer coisas de que gosta. É importante voltar os olhos para os profissionais e fazê-los entender que também são importantes”, destacou o médico.
Lucas Alverga observou que a rotina de um hospital de porta aberta, como o HSGER, pode representar uma carga adicional para as equipes, já que a demanda pode variar diariamente. Para ele, cuidar da própria saúde mental é uma condição importante para que o profissional consiga continuar oferecendo uma assistência de qualidade.
Nem todo sofrimento é visível - A programação das rodas de conversa foi organizada a partir de diferentes temas relacionados à saúde emocional. Os colaboradores serão convidados a refletir sobre o tema “Nem todo sofrimento é visível”, abordando situações de sofrimento psíquico que nem sempre são percebidas por quem está ao redor.
Outro tema que será trabalhado é “Você não precisa dar conta de tudo”, que propõe uma reflexão sobre a sobrecarga provocada pelo acúmulo de responsabilidades. O último encontro terá como tema “O que faz a vida valer a pena?”, estimulando os participantes a olhar para a própria trajetória, os relacionamentos, a família, o cotidiano e aquilo que dá sentido à vida.
A programação do Setembro Amarelo no HSGER será encerrada ao final do mês com uma palestra da médica psiquiatra Camila Franca, que abordará aspectos relacionados à saúde mental e à importância da busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.
Rotina e autocuidado - A presidente da Comissão de Humanização do HSGER, Andreia Medeiros, ressaltou que o autocuidado não precisa estar associado a grandes mudanças na rotina. Pequenas atitudes podem contribuir para o bem-estar e ajudar a preservar a saúde emocional.
“Há várias formas de autocuidado que são simples e que geram bem-estar, como o contato com a luz do sol, passar tempo com as pessoas que ama, fazer algo que gosta e agradecer por algo do dia. Em algum momento da semana, eu tento ter contato com a natureza e priorizar o contato com minha família. É importante também se desconectar e descansar”, comentou. Além disso, buscar ajuda profissional e psicoterapia é importante.
A importância de criar espaços de escuta dentro do ambiente de trabalho também foi percebida pelos colaboradores. Para Fabrícia Agra, que participou de uma das rodas de conversa, a experiência proporcionou uma nova perspectiva sobre a necessidade de olhar para si mesma. “Achei maravilhosa a experiência. É a primeira roda de conversa que participo no meu ambiente de trabalho. É importante esse olhar para os colaboradores porque passamos por muita coisa aqui dentro. Sempre ficamos preocupados em servir e muitas vezes não olhamos para nós. Foi uma virada de chave. Muitas vezes, é preciso que o outro fale para que a gente se olhe”, relatou.
Onde buscar ajuda - Pessoas que estejam passando por sofrimento emocional ou psicológico não precisam enfrentar esse momento sozinhas. A orientação é procurar ajuda profissional e conversar com pessoas de confiança. Na rede pública de saúde, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem atendimento especializado em saúde mental, conforme o perfil e a necessidade de cada pessoa.
Também é possível buscar atendimento por meio do PASM (Pronto Atendimento em Saúde Mental). Em situações nas quais a pessoa precisa conversar e receber apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Fonte: Repórter PB
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