
17/09/2026 às 19:48
O Ministério Público Federal (MPF) promoveu, nesta quarta-feira (16), uma roda de conversa sobre saúde mental, como parte das ações do Setembro Amarelo. O encontro foi realizado na Sala de Convivência, na sede do órgão em João Pessoa, e reuniu integrantes do MPF, do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e do Ministério Público (MP) de Contas, além de seus familiares.
A atividade teve como objetivo ampliar o diálogo sobre saúde mental, estimular o cuidado com o bem-estar emocional e reforçar a importância da escuta, do acolhimento e da busca por ajuda especializada quando necessário.
Participaram da conversa a psicóloga clínica Alice Cristina Silva dos Santos, a procuradora do Trabalho Andressa Lucena Ribeiro Coutinho, o educador físico Adriano Cesares Mesquita Brasil de Farias e o educador e conferencista Almir Laureano dos Santos, da Federação Espírita Paraibana (FEPB).
A abordagem multidisciplinar permitiu tratar o cuidado com a saúde mental a partir de diferentes perspectivas, envolvendo aspectos emocionais, profissionais, físicos e espirituais, além das relações humanas e da qualidade de vida.
Para a procuradora-chefe do MPF no estado, Janaina Andrade de Sousa, a iniciativa buscou abordar a saúde mental de forma ampla e integrada. “A proposta da roda de conversa foi discutir a saúde mental como algo que envolve o corpo, as emoções e a forma como se interage com os outros na sociedade e no ambiente de trabalho. Buscou-se, por meio da oralidade, uma ferramenta de ajuda, destacando que todos têm um papel importante no cuidado com o bem-estar coletivo, cuidando de si individualmente, mas também apoiando uns aos outros. É importante destacar que a garantia do direito constitucional à saúde inclui o cuidado com a saúde mental”, afirmou.
Cuidado individual e coletivo - A psicóloga Alice Cristina destacou a importância de reconhecer sinais de sofrimento emocional e oferecer uma escuta acolhedora e livre de julgamentos. Segundo ela, familiares, amigos e colegas também podem perceber manifestações que indiquem a necessidade de ajuda. “A pauta da saúde mental não deve ficar restrita aos consultórios médicos e psicológicos. Precisamos tratar a saúde mental em todos os âmbitos da sociedade, reconhecendo que ela é uma responsabilidade coletiva”, ressaltou.
No ambiente profissional, a procuradora do Trabalho Andressa Lucena chamou a atenção para a prevenção do chamado 'adoecimento invisível'. “Considerando que passamos a maior parte de nossa vida ativa no trabalho, é imprescindível que esse meio seja saudável, contemplando não apenas os aspectos ergonômicos e físicos, mas também a saúde mental”, afirmou.
Para ela, ações de prevenção, acolhimento e escuta ativa são fundamentais para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis. “É fundamental atuarmos de forma preventiva, por meio de iniciativas como a realizada hoje pelo Ministério Público Federal, a fim de conscientizar sobre a identificação desses quadros e a manutenção da saúde psicológica no trabalho”, destacou.
O educador físico Adriano Cesares abordou os reflexos da atividade física na saúde mental, especialmente na melhora do sono, na disposição para as tarefas cotidianas e no alívio do estresse. Segundo ele, a prática regular de exercícios contribui tanto para o descanso quanto para uma maior autonomia e qualidade de vida.
Saúde mental nas instituições - Presente ao encontro, a procuradora-geral do Ministério Público de Contas da Paraíba, Elvira Oliveira, ressaltou a importância de reunir diferentes áreas do conhecimento para ampliar a discussão sobre o tema. Segundo ela, embora historicamente tenha sido dada maior atenção à saúde física, é necessário compreender que saúde física e mental estão diretamente relacionadas.
“Falar sobre isso e trazer profissionais que trabalham com o tema é extremamente importante para difundir práticas que possam melhorar nossa saúde mental, tanto no âmbito particular como no ambiente de trabalho”, afirmou. Elvira também destacou a importância de iniciativas institucionais permanentes de prevenção e de enfrentamento de situações que possam afetar o bem-estar dos trabalhadores.
A promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Bem-Estar e Qualidade de Vida do Ministério Público da Paraíba (MPPB), Fabiana Lobo, defendeu que o cuidado com a saúde mental seja incorporado ao cotidiano das instituições. Ela citou a pesquisa “Bem Viver”, realizada em 2021 no âmbito do Ministério Público brasileiro, segundo a qual 85,60% dos integrantes da instituição apresentavam algum nível de sofrimento mental.
Fabiana também destacou a importância da implementação efetiva das diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental no Ministério Público e do funcionamento de estruturas voltadas ao bem-estar e à prevenção de situações de risco.
“Precisamos fomentar uma cultura de saúde mental em nossa instituição, que nos permita identificar os primeiros sinais precocemente e, fundamentalmente, que nos encoraje a buscar auxílio profissional”, afirmou. Para a promotora, o diálogo e a escuta ativa são essenciais tanto para perceber o sofrimento de outras pessoas quanto para reconhecer os próprios sinais de adoecimento.
Além da participação presencial, a roda de conversa foi transmitida pelo Zoom para integrantes do MPF que atuam no interior da Paraíba. A atividade também contou com adicional de qualificação para os servidores.
Setembro Amarelo – A campanha busca conscientizar a sociedade sobre a importância da promoção da saúde mental e da prevenção do suicídio, contribuindo para ampliar o diálogo sobre o tema e combater estigmas relacionados ao sofrimento emocional.
A roda de conversa integrou as ações do MPF na Paraíba durante o Setembro Amarelo e buscou fortalecer, no ambiente institucional, uma cultura de cuidado, escuta e valorização da vida.
“O exercício físico favorece um melhor sono e estimula o corpo a ter mais disposição. Além disso, o exercício de força proporciona mais liberdade para desempenhar as tarefas do dia a dia, o que também tem reflexos no bem-estar”, explicou.
Já o educador e conferencista Almir Laureano tratou da importância da fé, da espiritualidade e dos vínculos humanos. “O ser humano é, por essência, um ser social que necessita da convivência com o próximo. A espiritualidade, sob a perspectiva cristã, enfatiza o amor como a lei maior; contudo, esse exercício pressupõe também o amor-próprio”, destacou. Para ele, o fortalecimento dos laços, especialmente os familiares, contribui para enfrentar os desafios da vida com maior serenidade e amparo.
Fonte: Ascom MPF
Para ler no celular, basta apontar a câmera