
17/09/2026 às 13:49
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou ofício ao presidente da Segunda Turma, ministro Luiz Fux, questionando a condução da sessão virtual que fechou maioria pela manutenção do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, do cargo. Ofício encaminhado no último dia 11, mas só tornado público nesta quinta-feira (17). 

É que, em pouco mais de uma hora, segundo Gilmar Mendes, ele foi informado do afastamento e da convocação da sessão. E em menos de dez minutos, já tinham os votos do relator, André Mendonça, de Luiz Fux e de Kássio Nunes Marques. Gilmar Mendes pediu vista. Segundo ele, a Segunda Turma é composta por cinco membros e o presidente dela deve coordenar os trabalhos e o diálogo com todos, sem inclinação por qualquer deles.
Lembrando que Andrei Rodrigues foi reconduzido ao cargo no dia seguinte por uma decisão do presidente do STF, Edson Fachin.
Em outro movimento, Gilmar Mendes veio às redes sociais para partir em defesa do procurador-geral da República. Disse que Paulo Gonet teve a “honra injustamente manchada” pelo levantamento do sigilo de conversas que não mostravam nenhuma irregularidade. O nome dele aparece em mensagens retiradas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens de terceiros e não trocadas diretamente com o PGR. Na sessão de terça-feira, Gonet admitiu um único encontro “brevíssimo e banal” com Vorcaro.
Gilmar Mendes chamou a cena de terça-feira de lamentável e afirmou que Mendonça tinha a intenção de lucrar politicamente com o episódio. Palavras de Gilmar Mendes: “Quem age assim não é magistrado imparcial. É boneco de campanha. Um pixuleco eleitoral”.
O ministro André Mendonça rebateu a publicação. Reforçou que Lei Orgânica da Magistratura Nacional proíbe magistrados de se manifestarem sobre processos pendentes de julgamento. Explicou que o sigilo levantado foi de um procedimento específico, em decisão fundamentada e nos estritos limites do que lhe competia. E finalizou: “jamais ameaçou quem quer que seja de execração pública, nem se valeu de linguajar impróprio ou transformou o plenário num palanque ou picadeiro, vociferando aos berros, para tentar mascarar com truculência ilações vazias e que carecem de qualquer fundamento jurídico minimamente aceitável”.
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