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Ginecologistas são os primeiros a atenderem mulheres violentadas

Rádio Agência

10/03/2026 às 20:46

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Médicos ginecologistas e obstetras frequentemente são os primeiros profissionais de saúde a terem contato com mulheres vítimas de violência nos consultórios e nos atendimentos de urgência. A constatação é de um levantamento inédito da Febrasgo, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, divulgado nesta terça-feira, 10.

De acordo com a pesquisa nacional, oito em cada dez médicos especialistas no cuidado com a saúde feminina relatam que são os primeiros a receber as queixas ou identificar casos de violência contra a mulher.

A violência psicológica e emocional foi a forma mais recorrente percebida nos atendimentos, citada por cerca de 83% dos médicos entrevistados. A violência sexual veio em seguida, com 50% das menções. Casos de violência física foram citados por 35% e patrimonial por 25%.

Para a médica Roseli Nomura, diretora administrativa e membro do núcleo feminino da Febrasgo, o enfrentamento à violência sexual, por exemplo, esbarra na falta de uma ampla rede de apoio e de encaminhamentos.

“Muitas vezes falta um fluxo de atendimento claro, estruturado, que dê apoio para um atendimento de saúde ou até para um atendimento legal. Por vezes, a gente vai precisar, por exemplo, de coleta de material biológico. Às vezes, a gente vai precisar encaminhar para uma delegacia, com apoio do Ministério Público. E, muitas vezes, o fato de ela revelar a violência, vai trazer inúmeros desdobramentos legais, que pode até resultar em novas violências”.

Apesar da percepção dos ginecologistas e obstetras sobre o enfrentamento à violência contra a mulher, 46% tratam do assunto apenas quando há sinais evidentes; 26% quando a paciente relata espontaneamente o problema e cerca de 15% incluem o tema em sua rotina, segundo o levantamento.

 

Profissionais não se sentem preparados 

Além disso, apenas 25% desses profissionais se sentem muito ou bem preparados para conduzir esse tipo de atendimento; 51% relatam ter preparo intermediário e outros 23% se sentem pouco ou nada preparados, indicando uma lacuna na formação profissional.

Roseli Nomura explica que a federação de associações médicas tem trabalhado para mapear as carências regionais e oferecer formação continuada para ginecologistas e obstetras, incluindo o enfrentamento à violência contra a mulher.

“A formação médica hoje, especializada, tem várias lacunas. E esse atendimento no combate à violência da mulher é uma das grandes lacunas, nos diferentes serviços espalhados pelo país, de formação médica. A gente tem uma carência de equipe, a carência de uma estrutura bem organizada acaba prejudicando uma boa formação desse especialista”.

Além de acolher com escuta qualificada, identificar sinais de violência e encaminhar mulheres para rede de proteção, os ginecologistas e obstetras também podem orientar sobre os direitos das vítimas e notificar os casos, seguindo a legislação.

A pesquisa da Febrasgo contou com a participação de 289 profissionais médicos de todo o país. 

*Com produção de Helder Castro

3:45

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