Sousa/PB -

Extras

Estudantes do Pedro II, no Rio, fazem ato contra o assédio na escola

Rádio Agência

10/03/2026 às 21:11

Tamanho da Fonte

Estudantes do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, realizaram nesta terça-feira, 10, um ato contra a prática de assédio na escola. De acordo com eles, a conduta tem sido frequente.

O protesto ocorre após denúncia de uma estudante da escola de estupro coletivo, cometido em janeiro, por quatro homens e um adolescente, em um apartamento em Copacabana, na zona sul da cidade. Dois dos acusados do crime também são alunos do colégio. Um deles é Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, filho do ex-subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do governo do Rio de Janeiro, José Carlos Simonin, que foi demitido após a repercussão do caso.

O outro, menor de idade, não teve o nome revelado.

Ana Belarmino, estudante do colégio, relata que muitas alunas têm medo.

“A gente tem medo real, na verdade, a gente tem até medo que aconteça alguma coisa com a gente. Não por causa do colégio, o colégio não é o nosso inimigo e eu acho que isso tem que ficar muito claro. Meu medo, na verdade, é que a gente sofra alguma retaliação tanto virtual, quanto, enfim, presencial mesmo. Desses movimentos, movimento red pill, dos movimentos reacionários”.

 

A estudante também fala sobre o silenciamento em torno do tema do assédio no ambiente escolar.

“Quando a gente fala sobre esse licenciamento também, a gente fala sobre o movimento que ele acontece por conta desse desrespeito que tem os movimentos reacionários com o Colégio Pedro II, de não criar espaços para o debate de gênero e sexualidade dentro da escola. Porque assim, se existisse, de fato e efetivamente, como em algum momento, e um momento curtíssimo, existiu o debate de gênero e sexualidade dentro do Pedro II, a gente não teria o problema de uma aluna, por exemplo, como foi falado na entrevista do Fantástico, não sabendo que tinha sido abusada pelo Vitor Hugo”.

 

Comissão de enfrentamento

Os manifestantes relataram ainda dificuldades na aprovação de uma comissão voltada ao enfrentamento do assédio na escola. O assunto é debatido desde 2022 e a criação da comissão foi aprovada somente nessa segunda-feira. A pressão agora é para que, de fato, a ideia saia do papel.

Rio de Janeiro (RJ), 10/03/2026 – Estudantes e trabalhadores do Colégio Pedro II protestam contra assédio sexual e silêncio institucional em frente à reitoria, em São Cristóvão, após caso de estupro coletivo envolvendo alunos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ), 10/03/2026 – Estudantes e trabalhadores do Colégio Pedro II protestam contra assédio sexual e silêncio institucional em frente à reitoria, em São Cristóvão, após caso de estupro coletivo envolvendo alunos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 10/03/2026 – Estudantes e trabalhadores do Colégio Pedro II protestam contra assédio sexual e silêncio institucional em frente à reitoria, em São Cristóvão, após caso de estupro coletivo envolvendo alunos. - Fernando Frazão/Agência Brasil

Priscila Bastos, professora do Pedro II e integrante do Sindicato dos Servidores e Servidoras do colégio, explica a situação.

 “O entrave maior, entre a nossa proposta o que a reitoria apresentou, é que a gente cria na nossa proposta uma comissão permanente de acolhimento e enfrentamento a essas questões de assédio, discriminações dentro da escola. Uma comissão descentralizada, que não depende de qual é o gestor ou da vontade individual do servidor de tratar do tema. Não. É uma institucionalização de um espaço específico para fazer o acolhimento, para incentivar as políticas de prevenção e mais, para fazer o monitoramento”.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que investiga mais dois casos de estupro cometidos contra alunas adolescentes do Colégio Pedro II e praticados por integrantes do mesmo grupo. Uma das denúncias envolve uma menina que tinha 14 anos na época e que agora está com 17.

Em nota, o Colégio Pedro II manifestou repúdio à violência praticada e se solidarizou com as estudantes. O comunicado afirma ainda que os episódios são absolutamente incompatíveis com os valores da instituição e informa que foi instaurado um processo disciplinar em relação aos casos. 

O Colégio disse ainda que não há silêncio institucional e que o assunto tem sido objeto de debate em fóruns da instituição.

A reportagem procurou a defesa de Vitor Hugo Oliveira Simonin e de seu pai, o ex-subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, José Carlos Simonin, mas não conseguiu contato.

3:26

Continuar lendo ...
Ads 728x90

QR Code

Para ler no celular, basta apontar a câmera