
06/03/2026 às 13:36
A coordenação federal do Sistema Único de Segurança Pública e a proibição de progressão de pena para crimes violentos podem ser temas de revisão pelo Senado na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. É o que afirmam especialistas.

No entanto, a aprovação do texto pela Câmara foi considerada positiva.
Um ponto importante foi a manutenção da integração das forças de segurança federais, estaduais e municipais, mesmo que não da maneira que o Executivo havia planejado.
O texto original, enviado pelo Ministério da Justiça, previa uma coordenação da União, que foi retirada do texto.
A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, acha que o texto não ficou tão esvaziado.
"A questão da coordenação continua ser dar um protagonismo muito forte para a União, essa era uma queixa, mas a gente entende que a possibilidade de uma cooperação interfederativa e um trabalho coordenado entre União, estados e municípios está presente na PEC apontando focos específicos em interoperabilidade do sistema, troca de informação. Então não acho que se esvaziou tanto".
O sociólogo e pesquisador associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rodrigo Azevedo, também aponta os pontos importantes que foram mantidos, mas acredita que o Senado deveria rever a questão da coordenação federal.
"Garantindo, com isso, a capacidade do Estado, de um ponto de vista macro, enfrentar a criminalidade, especialmente aquela organizada, de forma mais integrada, inteligente e eficaz. E, nesse sentido, parece que o reconhecimento de um papel de coordenação por parte da União seria algo a ser, ainda, retomado".
Para Rodrigo, um trecho que pode ter a constitucionalidade questionada é a proibição da progressão de pena em casos de crimes violentos e para integrantes de facções criminosas. Na opinião dele, os senadores deveriam reavaliar este ponto. "Essa previsão tende a ser judicializada por possível violação ao princípio da individualização da pena, já reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF)", explica.
Carolina Ricardo, do Sou da Paz, aponta também o dispositivo que permite ao Congresso Nacional derrubar medidas dos conselhos Nacional de Justiça (CNJ) e do Ministério Público (CNMP), que interfeririam nas atribuições do Legislativo.
"Acho que aqui é um pouco essa briga de forças que a gente está vivendo entre os poderes. Acho complicado, também, porque de alguma forma dá bastante poder para o Congresso. Então acho que esse é um ponto que vai ser importante o Senado olhar. Mas é isso, eu acho que, no final, dada que essa foi uma aposta do governo, foi importante a aprovação".
A Câmara dos Deputados aprovou, nessa quarta-feira, a PEC da Segurança Pública com destaques nas atribuições das Polícias Federal e Rodoviária Federal, guardas municipais, além de destinar dinheiro de bets para a segurança pública.
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