
06/03/2026 às 12:59
Em relatório publicado nesta sexta-feira (6), a Comissão Interamericana de Direitos Humanos avaliou a Operação Contenção no Rio de Janeiro, que totalizou 122 mortos - sendo 117 pessoas apontadas pela polícia como suspeitas de integrar organização criminosa e cinco policiais. A ação foi considerada a mais letal da história do Brasil.

Órgão responsável pela proteção dos direitos humanos no continente americano, a comissão condenou a eficácia da ação no combate à criminalidade.
Entre as observações, o documento evidencia marcas de impunidade e omissão, além de sinalizar o padrão de segurança pública brasileira, com operações policiais extensivas, militarização de territórios e endurecimento punitivo
O relatório é baseado em informações colhidas pela Comissão Interamericana durante visitas ao Rio de Janeiro e Brasília, em dezembro. A delegação conversou com representantes dos governos federal e estadual. Também foram ouvidas organizações da sociedade civil, lideranças comunitárias, especialistas e familiares de mortos na operação.
O documento cita, ainda, ao menos 12 menções da cobertura feita pelo jornalismo da Agência Brasil.
Segundo o relatório, houve falhas como falta de preservação das cenas do crime, alto índice de arquivamento e fragilidades de independência pericial.
Ainda de acordo com o documento, a sobrecarga no Instituto Médico Legal (IML) resultou em uma experiência desumanizadora. Há relatos de armazenamento inadequado e demora na liberação de corpos.
Em sua conclusão, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos traz recomendações e exigências ao poder público, que vão desde investigação independente por órgãos desvinculados às forças de segurança até a garantia de apoio às famílias das vítimas.
Com o objetivo de conter o avanço do Comando Vermelho, a Operação Contenção mobilizou 2,5 mil policiais, no dia 28 de setembro do ano passado. Foram alvos os Complexos de Favelas da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense, considerados redutos da facção criminosa.
Além dos mortos, a ofensiva resultou em 99 prisões e na apreensão de 122 armas de fogo, sendo 96 fuzis, e mais de 2 toneladas de drogas.
Procurado para dar resposta ao relatório, o governo do estado não respondeu até o fechamento desta matéria.
*Com informações da Agência Brasil
**Sob supervisão de Vitória Elizabeth
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