01/06/2026 às 11:43
Fogueira de São João ‧ Foto: divulgação
O Ministério Público Eleitoral decidiu colocar os festejos juninos da Paraíba sob observação especial em 2026. E a medida não surgiu por acaso.
Quando o órgão determina fiscalização em cidades como Campina Grande, Patos, Sousa, João Pessoa e Santa Luzia, o recado é claro: festa pública não pode se transformar em palanque eleitoral.
O alerta é oportuno.
Estamos entrando em um período pré-eleitoral e, historicamente, grandes eventos populares sempre despertam o interesse de quem ocupa cargos públicos e daqueles que pretendem disputar eleições.
O problema não está na presença de prefeitos, deputados ou pré-candidatos nas festas. Isso faz parte da vida pública. O problema surge quando a estrutura financiada com recursos da população passa a ser utilizada para promover nomes, imagens ou projetos políticos.
Por essa razão, chama atenção a determinação para que artistas evitem manifestações eleitorais, elogios a gestores ou referências a pré-candidatos durante os shows. A medida busca preservar aquilo que deveria ser o verdadeiro propósito dos festejos: a cultura, o turismo e a geração de renda.
A fiscalização também protege os próprios gestores.
Quem administra corretamente não tem motivo para temer o acompanhamento do Ministério Público, do Tribunal Regional Eleitoral ou do Tribunal de Contas.
Por outro lado, a iniciativa revela uma preocupação legítima das autoridades. Os investimentos realizados nas festas juninas cresceram significativamente nos últimos anos, e quanto maior o volume de recursos públicos envolvidos, maior deve ser o nível de transparência e controle.
A questão que fica é simples: o dinheiro público está sendo utilizado para fortalecer a cultura e movimentar a economia local ou para fortalecer projetos eleitorais?
Essa é a linha que o Ministério Público pretende vigiar.
O São João é patrimônio cultural do Nordeste e orgulho do povo paraibano. Mas não pode se transformar em instrumento de promoção pessoal custeado pelo contribuinte.
A fiscalização anunciada não deve ser vista como perseguição política.
Deve ser encarada como uma garantia de equilíbrio, legalidade e respeito ao processo democrático.
Porque festa pública deve servir ao povo.
E não aos interesses eleitorais de quem quer disputar o voto da população.
Por Pereira Júnior

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