22/04/2026 às 10:55
Canarinho ‧ Foto: imagem reprodução
O Brasil já não para para ver a Copa do Mundo. E, desta vez, não é impressão — é dado.
Levantamento do Datafolha mostra que 54% dos brasileiros não pretendem acompanhar o torneio, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México. A pesquisa, realizada entre os dias 7 e 9 de abril com 2.004 entrevistados, registra o maior índice de desinteresse desde 1994, superando inclusive os 51% observados antes da Copa de 2022.
Esse número diz mais sobre o país do que sobre o futebol.
Durante décadas, a Copa foi um ponto de encontro. Rua cheia, bandeira na janela, conversa no trabalho. Hoje, esse vínculo enfraqueceu. E não é por acaso.
O futebol mudou de lugar na vida das pessoas. A seleção, antes próxima do povo, hoje parece distante. Jogadores atuam fora, o calendário é confuso, e o sentimento de pertencimento já não é o mesmo. Para muitos, a camisa perdeu parte do significado.
Há também o peso da realidade. Em meio a dificuldades financeiras, insegurança e preocupações do dia a dia, o futebol deixou de ser prioridade. O brasileiro segue gostando do esporte, mas já não vive a Copa como antes.
Outro fator é a mudança na forma de consumir entretenimento. O público se fragmentou. As novas gerações têm outras referências, outras telas, outros interesses. A Copa deixou de ser unanimidade.
Nada disso acontece de uma vez. É um processo. Os números apenas confirmam uma transformação que já vinha sendo sentida.
A pergunta que fica é direta: o Brasil deixou de se reconhecer na seleção… ou apenas passou a olhar para outras coisas?
Por Pereira Júnior

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