11/04/2026 às 17:00
Edinho Silva, presidente do PT Nacional com Cida Ramos ‧ Foto: divulgação
A decisão do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores na Paraíba de anunciar apoio à pré-candidatura do governador Lucas Ribeiro à reeleição não foi apenas um posicionamento partidário. Trata-se de um gesto político com implicações diretas no cenário estadual, tanto no campo das alianças quanto na reorganização das forças para 2026.
O apoio aprovado por unanimidade indica que o partido optou por caminhar dentro de uma lógica de alinhamento com o projeto nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse contexto, a escolha por Lucas Ribeiro não surge de forma isolada, mas conectada à estratégia de manter sintonia entre governo estadual e federal, especialmente em áreas de políticas públicas e investimentos.
No entanto, o apoio não veio sem condições. O PT deixou claro que deseja participação efetiva na construção da chapa majoritária, com a reivindicação da vaga de vice-governador. Além disso, condicionou a aliança à vinculação com a candidatura de Lula à reeleição e à incorporação de propostas do partido no programa de governo estadual. Em outras palavras, não se trata apenas de apoio, mas de negociação política com expectativa de protagonismo.
A repercussão no estado tende a ser imediata. A entrada formal do PT no campo governista fortalece o grupo liderado por Lucas Ribeiro, amplia o tempo de televisão, agrega capilaridade e consolida um eixo político com alcance nacional. Por outro lado, também pressiona outros partidos da base, que passam a disputar espaço dentro da mesma composição.
Nesse cenário, a condução da presidente estadual do partido, Cida Ramos, ganha destaque. Ao longo das últimas semanas, ela já vinha sinalizando aproximação com o grupo governista, preparando o ambiente interno para essa decisão. Do ponto de vista político, a estratégia demonstra coerência com a linha nacional do partido e com a busca por inserção em um projeto com viabilidade eleitoral.
Por outro lado, é natural que a decisão gere questionamentos dentro e fora do partido. Parte da militância e de setores políticos pode interpretar o movimento como uma renúncia a uma candidatura própria. No entanto, dentro da lógica pragmática da política, alianças são construídas a partir de cenários concretos, e o PT optou por integrar um projeto já estruturado.
A questão central agora deixa de ser a decisão em si e passa a ser sua execução. O partido conseguirá, de fato, ocupar o espaço que reivindica? As condições apresentadas serão atendidas? E como se dará a convivência entre as diferentes forças dentro da base?
O que está posto é um novo desenho político na Paraíba. Com o PT oficialmente inserido no campo governista, o debate eleitoral ganha novos contornos, e as próximas movimentações devem girar em torno da definição da chapa e do equilíbrio interno dessa aliança.

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