
11/04/2026 às 16:20
Uma nova etapa do Projeto “Encontro de Mulheres do Agro”, realizado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap-PB), ocorreu na noite dessa sexta-feira (10), durante a programação da 2ª Expo Agro Peixe, no município de Boqueirão. Com o tema “Violência Doméstica: Entender para Combater”, o evento abordou aspectos sobre como as mulheres são vítimas de vários tipos de violência no ambiente doméstico e a existência da rede de apoio para ajudar a mulher a encerrar o ciclo violento de que ela é vítima.
O secretário da Sedap-PB, Joaquim Hugo Vieira, destacou a importância do “Encontro de Mulheres do Agro”. “A intenção do projeto é garantir nas exposições do agro espaços que abordem e discutam temas relevantes para toda a sociedade, em especial para as mulheres", ressaltou. Ele apontou que “nas palestras do projeto é fundamental, também, a participação dos homens, para que assumam um papel ativo no combate à violência contra a mulher, atuando junto a outros homens, atuando para mudar o cenário atual, influenciando e contribuindo para a formação de novas gerações mais conscientes”.
A programação começou com a realização de um pocket show feito pelo “caricantor” Sócrates Gonçalves. Ele apresentou canções conhecidas da MPB e foi acompanhado pelos presentes à palestra.
O tema do evento, “Violência Doméstica: Entender para Combater”, foi então abordado pela assessora de Gestão Social da Sedap-PB e idealizadora do projeto “Encontro de Mulheres do Agro”, Márcia Dornelles. Ela afirma que é fundamental a sociedade, homens e mulheres, entenderem o que é a violência doméstica. “Não é uma temática fácil. A violência doméstica é uma realidade que afeta milhares de pessoas todos os dias. Ela não se resume apenas à agressão física — pode ser também psicológica, moral, sexual ou patrimonial. Muitas vezes, começa de forma silenciosa: controle excessivo, humilhações, ameaças ou isolamento. Nem sempre a violência deixa marcas visíveis. Palavras que ferem, ameaças, humilhações, controle excessivo, isolamento de amigos e familiares e a destruição de objetos também são formas de violência. Muitas vítimas permanecem em silêncio por medo, vergonha ou dependência emocional e financeira”, ressaltou.
Márcia Dornelles alertou que a violência se concretiza através de ações que provoquem na mulher “medo constante, isolamento social, baixa autoestima, por meios físicos, pelo controle excessivo do companheiro”. Ela lembrou que as leis e redes de apoio para proteger as mulheres existem, mas ainda elas temem fazer a denúncia. “Temos as medidas protetivas e elas salvam vidas”, destacando, por exemplo, a eficiência da Patrulha Maria da Penha na Paraíba, que até hoje não perdeu nenhuma mulher que esteja sob seu cuidado. Porém, ela reafirmou a necessidade do envolvimento dos homens no enfrentamento da violência doméstica, uma vez que não é responsabilidade apenas das vítimas ou das autoridades, é um compromisso de toda a sociedade, e os homens têm um papel fundamental nesse processo. Construir uma sociedade mais justa e segura exige a participação ativa dos homens como aliados na promoção do respeito, da igualdade e da dignidade.
Em seguida, a assistente social Jakeline Rodrigues, que atua no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), explicou como funciona a rede de apoio às mulheres vítimas de violência e reforçou a importância que quando a mulher busque ajuda, encontre um agente que esteja preparado para acolhê-la. E realçou a necessidade do envolvimento de todos: “A pessoa que se cala diante de uma agressão, ela é cúmplice”.
A vereadora de Boqueirão Naldete Ramos falou das ações e parcerias entre vários setores do município para enfrentar a violência contra a mulher. “A gente precisa se unir e lutar por nós mulheres. Aqui em Boqueirão eu vejo o município salvando vidas. E digo às mulheres: Não se calem. Precisamos entender que juntas somos mais fortes”.
Já a secretária de Finanças e primeira-dama de Boqueirão, Joelma Freitas, comentou que ações como a palestra do projeto “Encontro de Mulheres do Agro” buscam encorajar as mulheres a denunciar a violência de que são vítimas ou testemunhas para que o ciclo de violência seja encerrado e um novo feminicídio seja evitado. “Não queremos ver nossos filhos crescendo num ambiente de violência doméstica. Que se leve essa mensagem de que há uma rede de apoio e meios para enfrentar a violência doméstica”, pontuou.
A ex-prefeita de Boqueirão, Joanita Leal, destacou a necessidade de espaços como o projeto “Encontro de Mulheres do Agro” e relatou: “A gente só cresce ouvindo pessoas que sabem mostrar os caminhos e esse espaço é importante por isso, porque mostrar que as mulheres têm concretamente onde encontrar ajuda para enfrentar a violência”.
Outra participante do evento, a secretária de Educação de Boqueirão, Diana Martins falou que o combate à violência doméstica passa pela sociedade contribuir no encorajamento das mulheres vítimas da violência e que é preciso enfrentar e lutar contra esse problema da sociedade: “Acredito que o principal é a mulher ter autoestima e coragem”.
Já a agricultora Amanda Gonçalves acrescentou que é necessário encorajar as mulheres a denunciar qualquer tipo de violência e que elas percebam que existem caminhos para isto. Ela contou que a luta de outras mulheres serve de incentivo a agir, citando o caso da primeira-dama do Estado, Camila Mariz Ribeiro, que viu a mãe ser assassinada vítima de feminicídio e que hoje atua como coordenadora do programa “Antes que Aconteça” na Paraíba. “Eu vi o exemplo da primeira-dama e isso é um exemplo muito forte que devemos lutar sempre contra a violência doméstica”.
A 2ª Expo Agro Peixe acontece até este domingo (12), e é realizada pela Prefeitura de Boqueirão, Governo do Estado, por meio da Sedap-PB e do Empreender-PB, Associação Paraibana de Criadores de Caprinos, Ovinos e Bovinos (Appaco+Bov) e Sebrae Paraíba. A exposição do agronegócio também tem o apoio da Federação da Agricultura da Paraíba (Faepa); Sistema Nacional de Aprendizagem Rural na Paraíba (Senar-PB), Consórcio Público Intermunicipal de Saúde do Cariri Ocidental (Cisco Agro), Banco do Nordeste e Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo.
Fonte: Repórter PB
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