
10/04/2026 às 15:00
A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Coordenação Estadual da Saúde Integral do Homem, em parceria com o Ministério da Saúde e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), promoveu, nesta sexta-feira (10), a qualificação “Participação Social na Atenção à Saúde do Homem”. O encontro reuniu ativistas e representantes da sociedade civil de todo o estado, no auditório da Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad), em João Pessoa, com o objetivo de fortalecer a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (Pnaish) no âmbito do SUS nas instâncias de controle social.
Voltada para o fortalecimento do controle social, a iniciativa abriu espaço para que diferentes segmentos da sociedade possam atuar de forma mais ativa na construção de estratégias voltadas à saúde dos homens em seus territórios. Participaram da qualificação representantes de movimentos sociais diversos, incluindo população LGBTQIA+, pessoas com deficiência, comunidades quilombolas, conselho da pessoa idosa, conselhos de saúde estadual e municipais, trabalhadores do campo movimentos estudantis e de resistência multiprofissional e médica, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), centro de saúde do trabalhador, movimento indígena, além de instituições como conselhos e órgãos de controle social, movimento de luta por moradia.
Para a referência técnica da Coordenação Estadual da Saúde Integral do Homem da SES, Adriana Nascimento, fortalecer os movimentos sociais é essencial para provocar mudanças mais profundas na sociedade. “A gente precisa que esses movimentos estejam fortalecidos dentro dos territórios para que o homem passe a se enxergar como alguém que também precisa se cuidar, rever suas condições de saúde e sua posição dentro da sociedade. Quando falamos de masculinidade e gênero, estamos falando no desafio no enfrentamento da violência, que ainda é uma realidade muito presente”, afirmou.
Ela destaca que, embora já seja possível observar avanços no comportamento dos homens em relação ao cuidado com a saúde, ainda há desafios importantes. “Hoje a gente percebe um aumento na procura pelos serviços de saúde e uma participação maior na paternidade, inclusive com homens mais presentes no pré-natal do parceiro e no cuidado com os filhos. Por outro lado, ainda não conseguimos visualizar uma redução nos índices de violência de gênero, o que reforça a necessidade de ampliar as ações de conscientização”, pontuou.
A referência técnica também ressaltou a importância da integração entre políticas públicas e outras áreas estratégicas. “Estamos trabalhando de forma integrada com a saúde mental com a educação e com outras instituições para abordar questões como o vício em jogos e as construções sociais da masculinidade. Esse trabalho já vem sendo desenvolvido nos municípios, alcançando diferentes regiões do estado”, acrescentou.
Ao ampliar o diálogo com os movimentos sociais, a qualificação também fortalece o papel do controle social como ferramenta essencial para a implementação das políticas públicas de saúde.
De acordo com a coordenadora regional do Projeto Homens, Saúde e Participação Social, Patrícia Caetano, o momento representa um avanço importante ao levar o debate para além dos espaços institucionais. “Essa qualificação é uma oportunidade para que os movimentos sociais se apropriem de conceitos, técnicas e formas de intervenção nos seus territórios, contribuindo diretamente para a implementação da política de saúde do homem. É um público muito diverso, porque não existe um movimento único de homens, mas vários segmentos que também pensam e atuam em favor da saúde dos homens”, explicou.
A proposta da política é ampliar o olhar sobre o cuidado. “A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem propõe enxergar o homem de forma integral, não apenas focada em doenças específicas, como muitas vezes acontece com a saúde da próstata. A gente fala de saúde mental, de como esse homem vive, como ele se posiciona no mundo e como ele pode se cuidar. Isso envolve mudança de comportamento e de cultura”, destacou a facilitadora.
A coordenadora regional do Projeto também reforçou o caráter inovador da iniciativa ao mobilizar, de forma inédita, os movimentos sociais em torno da pauta. “É praticamente inédito reunir, em nível estadual, diferentes movimentos sociais para discutir a saúde do homem. Esse encontro é uma conquista importante e fortalece essa agenda dentro da sociedade, instrumentalizando as pessoas para pensar e implementar essa política nos seus territórios”, afirmou.
Ao promover o diálogo entre gestão, academia e sociedade civil, a SES reforça o compromisso com uma abordagem mais humanizada e integral da saúde do homem, incentivando o autocuidado e fortalecendo redes de apoio nos territórios. A iniciativa também contribui para a construção de uma sociedade mais consciente, com relações mais saudáveis e menos marcadas pela violência.
Fonte: Repórter PB
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