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Inteligência artificial: caos ou esperança?​​​ por: Alexandre Lyra*

Como a maioria dos bens ou serviços elaborados por empresas ou pesquisadores, a IA foi feita para atender uma finalidade, só que mais complexa

Por Alexandre Lyra • Política

20/04/2026 às 15:06

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Imagem Caos ou sobrevivência?

Caos ou sobrevivência? ‧ Foto: reporterpb

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Os computadores ainda engatinhavam lá pelos idos de 1968, quando um certo cineasta enviou uma mensagem sombria sobre sua evolução: chegaria o dia em que eles decidiriam tomar a frente dos processos decisórios e isso poderia significar prejuízos capitais para os seres humanos. Essa era a conclusão de ‘2001: uma odisseia no espaço’. O ano de 2001 passou sem remotas chances disso acontecer, mas eis que a tecnologia continuou avançando, atropelando prognósticos conservadores chegando a 2026 com outro cenário. A inteligência artificial (IA) nasceu faz pouco tempo, mas já se desenvolveu a ponto de um de seus criadores, um nobel de física, mudar sua posição de entusiasta para a de crítico e afirmar que o panorama que se desenha à frente para seu desenvolvimento é preocupante (https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/nobel-de-fisica-se-demitiu-do-google-para-criticar-ia-saiba-o-que-ele-diz/#goog_rewarded  ).

Segundo esse pesquisador, as ia sabem “como programar, e então ela descobrirá maneiras de contornar as restrições que colocamos nela”. Recentemente tivemos exemplos que ela pode mentir para concluir uma tarefa (https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/chat-gpt-4-inteligencia-artificial-mente-para-completar-tarefa-e-gera-preocupacao/  ) ou chantagear seres humanos (https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2025/06/29/inteligencia-artificial-ja-mente-engana-e-chantageia-programadores.htm ). As IA foram desenvolvidas para resolver questões propostas, de modo que têm um objetivo claro a ser cumprido. Superando travas éticas, entretanto, elas seguem adiante de qualquer maneira para obter um resultado (distorcido).

Como a maioria dos bens ou serviços elaborados por empresas ou pesquisadores, a IA foi feita para atender uma finalidade, só que mais complexa. As empresas chegaram a esse produto final com a mesma meta das outras mercadorias: ganhar dinheiro. Esse interesse gerou e gera resultados significativos, proporcionando evolução rápida de itens diversos colocados à disposição de quem puder pagar, mas o problema começa quando algumas mercadorias, diferentes de uma laranja ou uma cadeira, têm implicações maiores em seu consumo; as chamadas externalidades. Os investimentos na área são altos, credenciando, mais do que todos, os grandes capitais, que fazem de tudo por mais lucro. É a pior combinação possível: investidores despudorados e instrumentos ‘inteligentes’ inorgânicos aliados para dominar mercados e suprimir qualquer resistência a isso.

Externalidades são efeitos colaterais resultados da produção ou consumo de algo. As atividades produtivas modernas sempre têm externalidade, pois incorrem, por definição, numa modificação da ordem natural das coisas. Mesmo na agricultura, onde a intervenção é mínima, a busca por maiores escalas produtivas com técnicas diversas aumentam os efeitos danosos no ambiente. As externalidades corriam soltas até meados dos anos 1960, quando a sociedade começa a ter preocupações ambientais e de sustentabilidade, de modo que hoje tudo é mais controlado, para o bem do homem e das futuras gerações. No caso das IA, elas já mostraram que têm certas externalidades negativas, mas seu desenvolvimento trará maiores repercussões, ainda incertas.

Ela surgiu para ser mais uma alavanca para o processo de aprendizagem e pesquisa, e cumpre bem esse papel, porém sua evolução necessita ser monitorada muito atentamente, pois seu controle tem se demonstrado algo delicado. Ela faz o que for necessário para obter sucesso em suas missões, e já mostrou que extrapola limites morais. Ela não sabe o que é vida orgânica, é fria, para a vida digital a morte é apenas mais um evento como qualquer outro. Estamos vivendo um momento que exige atenção e, em situações dessa envergadura, o paradigma ético é crucial. Limites morais rígidos devem ser aprimorados para evitar as piores possibilidades. Já houve outros momentos na história em que pesquisas geraram resultados destrutivos inicialmente menosprezados ou descartados, sendo o ápice do problema a pesquisa da fissão nuclear que permitiu o surgimento da bomba atômica.

O que preocupa é ver que o homem frequentemente não está preparado sequer para os desafios do presente. Muitos acham que no tempo certo virão os encaminhamentos necessários, empurrando com a barriga decisões importantes para manter práticas inadequadas, mas, nesse caso, como na fissão nuclear e no aquecimento global, adiamentos não são uma alternativa: o depois pode ser tarde demais.

Vamos conviver com androides, humanoides e máquinas ainda mais inteligentes em breve, e como lidar com isso? A sociedade moderna do século XXI já depende dos programas e aplicativos para muitas coisas, todas empresas e instituições possuem sistemas digitais vitais para seu funcionamento e já está introduzindo a IA nas suas rotinas. Depois de outros filmes explorarem a temática, como o já clássico Matrix, a problemática passou para a esfera da realidade concreta e precisamos pensar em como administrar hards e softwares interativos em todos lugares. Do trânsito ao sistema de defesa, vários deles replicam o raciocínio humano em sistemas inteligentes ainda embrionários, mas a placenta eletrônica já foi rompida.

Algumas pessoas minimizam o problema, mas o ser humano não pode ser subestimado, precisa se proteger de si, de impulsos negativos interiores, e dos outros que deixam fluir as mesquinharias e atrocidades. A modernidade tem conquistas expressivas, ressaltemos, mas elas só estão ao alcance enquanto contemos as características inferiores e destrutivas do homem, controlando suas repercussões. Estamos abrindo a porteira para a derradeira fronteira do conhecimento humano, alcançando justamente sua superação, é preciso saber fechá-la para os disparates associados e oportunistas, de forma que ela possa servir apenas ao aperfeiçoamento técnico e humano das sociedades.

* Professor titular do departamento de economia da Universidade federal da Paraíba.

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