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eleições 2026

Indicação de André Gadelha ao Senado expõe disputa interna e risco de fragmentação na base

Outro aspecto relevante é o risco de fragmentação

Por Pereira Jr. • Articulista Polí­tico

17/03/2026 às 13:56

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Imagem André Gadelha e Veneziano

André Gadelha e Veneziano ‧ Foto: divulgação

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A confirmação do nome de André Gadelha (MDB) para a segunda vaga ao Senado, anunciada pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, abriu uma nova frente de debate dentro do campo político aliado na Paraíba. O movimento, que inicialmente buscava fortalecer a chapa majoritária, acabou evidenciando divergências estratégicas entre lideranças e partidos que compõem a base.

A reação do deputado estadual Hervázio Bezerra (PSB), em entrevista ao programa Frente a Frente, da TV Arapuan, sinaliza esse desconforto. Ao classificar a decisão como “erro estratégico”, Hervázio não questiona o nome de André, mas o momento da escolha. Sua fala indica que, para parte do grupo, a antecipação da definição pode comprometer a construção coletiva da chapa.

O ponto central da crítica está na ausência de diálogo. Ao afirmar que não foi consultado — assim como o vice-prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra — o deputado evidencia uma possível falha de articulação interna. Em cenários eleitorais amplos, decisões unilaterais tendem a gerar resistências, especialmente quando envolvem espaços disputados como o Senado.

Outro aspecto relevante é o risco de fragmentação. Ao lançar um segundo nome ao Senado sem consenso consolidado, o MDB pode tensionar a relação com aliados, principalmente com o PSB, que possui capilaridade política no estado e influência direta sobre prefeitos e lideranças regionais. Como destacou Hervázio, muitos gestores municipais tendem a priorizar nomes já consolidados, o que pode dificultar a adesão automática a novas composições.

Além disso, o movimento também dialoga com o cenário mais amplo para 2026. A construção da chapa majoritária exige equilíbrio entre forças políticas, e a inclusão de novos atores sem alinhamento prévio pode alterar a dinâmica das alianças. Nesse contexto, a declaração de Cícero Lucena, ao defender diálogo antes de consolidar a vaga, reforça que o tema ainda está longe de um desfecho.

Por outro lado, a escolha de André Gadelha também revela uma estratégia do MDB de ampliar seu protagonismo na disputa estadual. Ao ocupar duas posições relevantes na majoritária, o partido tenta consolidar espaço e influência no projeto político em construção.

Em síntese, o anúncio feito por Veneziano projeta mais do que uma simples indicação: expõe a disputa por espaço dentro da base, revela a necessidade de recomposição de diálogo e antecipa que a formação da chapa para 2026 deverá passar por ajustes, negociações e, possivelmente, reconfigurações no campo aliado.

Por Pereira Júnior

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