Sousa/PB -
Donos da Noite

MPT e Polícia Federal detalham horror vivido por vítimas de exploração sexual na PB e em outros estados

Até o momento, 22 vítimas foram identificadas e resgatadas, sendo 18 delas localizadas em núcleos na Paraíba (com maior concentração em Guarabira) e quatro em solo pernambucano.

Da Redação Repórter PB

17/06/2026 às 11:00

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Operação Donos da Noite ‧ Foto: Reprodução

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Uma força-tarefa composta por órgãos federais e ministeriais desarticulou uma rede interestadual de tráfico de pessoas e exploração sexual que mantinha mais de 20 jovens em condições análogas à escravidão no Nordeste.

Denominada "Operação Donos da Noite", a ação — deflagrada de forma simultânea na Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte — revelou um esquema criminoso baseado em servidão por dívidas, jornadas exaustivas e tratamento degradante de mulheres em situação de extrema vulnerabilidade social.

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Polícia Federal (PF), o grupo aliciava jovens principalmente no estado do Ceará e as transferia para seis casas de prostituição controladas pela mesma organização. Nos estabelecimentos, localizados em municípios como Guarabira, Pedro Régis e Alagoa Grande (PB), além de Goiana (PE) e Nova Cruz (RN), as vítimas eram submetidas a metas diárias de programas sexuais e consumo de bebidas alcoólicas. Caso não atingissem os objetivos, eram multadas, gerando um ciclo de endividamento impagável que impedia a saída do esquema.

Relatos colhidos pelos investigadores apontam ainda que, em eventos chamados "Festa da Lingerie", as garotas eram tratadas como objetos e sorteadas entre os clientes, recorrendo ao uso de entorpecentes e álcool para suportar a rotina.

Até o momento, 22 vítimas foram identificadas e resgatadas, sendo 18 delas localizadas em núcleos na Paraíba (com maior concentração em Guarabira) e quatro em solo pernambucano.

Sob a condução do procurador do Trabalho Raulino Maracajá, o MPT agora atua na esfera jurídica para garantir o pagamento das verbas trabalhistas sonegadas e indenizações por danos morais individuais e coletivos. Dois proprietários dos estabelecimentos estão sob investigação formal por trabalho escravo e tráfico humano. As autoridades reforçam que denúncias de violações desse tipo podem ser feitas de forma sigilosa pelo Disque 100, pelo aplicativo MPT Pardal ou pelo WhatsApp do MPT na Paraíba (83 3612-3128).

Fonte: Repórter PB

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