Sousa/PB -
Alta Hospitalar

Após 140 dias de luta pela vida, paciente deixa Hospital Metropolitano sob aplausos e volta para casa com assistência domiciliar pelo SUS

Foi nesse contexto que um tumor na medula foi identificado e o paciente chegou ao Hospital Metropolitano para a realização de uma nova cirurgia, no início de abril.

Da Redação Repórter PB

29/08/2026 às 16:35

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Imagem Paciente Revellis Ferreira da Cunha, de 43 anos

Paciente Revellis Ferreira da Cunha, de 43 anos ‧ Foto: Reprodução

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Depois de 140 dias internado no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires (HMDJMP), unidade da rede estadual e gerenciado pela Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde), o paciente Revellis Ferreira da Cunha, de 43 anos, finalmente voltou para casa. Após alta hospitalar, realizada na quinta-feira (27), ele deixou a unidade sob aplausos e vai continuar o tratamento em sua residência acompanhado pela família e por uma equipe de assistência domiciliar. O serviço será viabilizado pelo Governo do Estado, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Antes de chegar ao Hospital Metropolitano, em Santa Rita, Revellis já enfrentava uma trajetória de perda progressiva dos movimentos. Segundo a médica intensivista Andréia Fumagalli, que acompanhou o paciente durante a internação, ele havia começado a apresentar perda de força cerca de três anos antes e, ao longo do tempo, evoluiu para uma importante limitação motora, tornando-se completamente dependente de cuidados, mesmo tendo passado por uma neurocirurgia, realizada em outra unidade hospitalar.

Foi nesse contexto que um tumor na medula foi identificado e o paciente chegou ao Hospital Metropolitano para a realização de uma nova cirurgia, no início de abril. O procedimento, inicialmente, transcorreu conforme o esperado. No entanto, após a retirada do tubo de ventilação, o paciente apresentou uma grave piora neurológica.

“Como ele já era um paciente muito limítrofe do ponto de vista nutricional e estava em uma internação prolongada, as complicações foram acontecendo. Em um paciente crítico, com vários dispositivos e vários suportes, as infecções recorrentes acabam acontecendo enquanto a gente não consegue retirar esses dispositivos”, explicou a intensivista.

De acordo com a médica, a própria condição neurológica de Revellis dificultava ainda mais a recuperação. Sem força muscular suficiente, ele não conseguia realizar adequadamente os movimentos necessários para respirar de forma independente, fazendo com que a ventilação mecânica permanecesse necessária por um período prolongado. “Por vários momentos, a gente chegou a achar que ia perder Revellis, porque a gente sabia da gravidade e da baixa possibilidade de conseguir desospitalizar e tirar ele da UTI”, relatou a médica.

Mas, enquanto a equipe enfrentava os desafios clínicos, também buscava formas de preservar a qualidade de vida e a relação de Revellis com aquilo que existia além dos procedimentos e equipamentos necessários ao tratamento. Apaixonado por futebol, ele ganhou um espaço preparado especialmente para acompanhar os jogos durante o período da Copa do Mundo. A iniciativa permitiu que, mesmo internado, pudesse viver momentos de lazer e se conectar com o esporte que mais gosta.

A equipe também reorganizou um espaço de isolamento da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Neurologia para que a família pudesse permanecer mais próxima do paciente durante a internação. A medida permitiu que a mãe e os demais familiares tivessem um contato mais frequente e participassem de maneira mais ativa daquele período. “Conseguimos, nesse quarto, liberar para que a família ficasse com ele durante quase todo esse tempo, para que a mãe pudesse estar junto do filho dela”, explicou Andréia Fumagalli.

Para a mãe do paciente, Maria da Conceição Ferreira da Cunha, a presença da família e o cuidado da equipe foram fundamentais durante os quase cinco meses de internação. Ela destaca que, em uma trajetória tão longa e delicada, o tratamento foi além dos procedimentos médicos. “Durante todo esse tempo nada faltou para o meu filho. Quando não tinha os profissionais aqui, traziam de fora. E tudo isso foi em função do SUS. Eu quero ressaltar aqui o trabalho humano que é feito com os pacientes”, afirmou.

Entre as iniciativas que marcaram a internação também estiveram os chamados passeios terapêuticos. Com segurança e acompanhamento dos profissionais, Revellis era retirado da UTI para experimentar, ainda que por alguns momentos, ambientes diferentes daquele em que passou meses internado. “Todas as quintas-feiras tiravam meu filho da UTI com toda a segurança. Levavam para o heliponto, levavam para ver o sol, levavam para ver a lua, as estrelas. Tudo isso impactou na melhora dele”, contou a mãe.

A possibilidade de alta não surgiu de repente. Foi construída gradualmente, à medida que a equipe enfrentava as complicações e buscava alternativas para que Revellis pudesse deixar o ambiente hospitalar sem interromper o tratamento. Profissionais de diferentes áreas se mobilizaram para estruturar a desospitalização, organizar os cuidados necessários e viabilizar o atendimento domiciliar. O objetivo era garantir que a transferência para casa acontecesse de forma segura, com suporte especializado e participação da família.

Para Andréia Fumagalli, a alta representa muito mais do que a saída física do hospital. “Quando a gente consegue tirar um paciente da UTI depois de tanto tempo, é uma vitória muito grande para toda a equipe”, afirmou.

A autorização da assistência domiciliar, por meio do SUS, tornou possível esse novo capítulo da história de Revellis. Em casa, ele continuará recebendo os cuidados necessários e permanecerá próximo da família, em um ambiente adaptado para acolhê-lo. “Gostaria de dizer que o SUS vale a pena e agradecer a todos os profissionais que se tornaram anjos na vida do meu filho”, declarou a mãe do paciente.  

Fonte: Repórter PB

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