
06/06/2026 às 18:20
“Empreendedorismo, Juventude e Autonomia Feminina” foi o tema abordado pelo Projeto “Encontro de Mulheres do Agro”, durante a 27ª Festa do Bode Rei, que ocorre até este domingo (7), no município de Cabaceiras. O projeto é uma realização da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap-PB).
O evento, realizado nessa sexta-feira (5), no auditório da tradicional exposição, contou com dois momentos. O primeiro tratou dos objetivos do projeto, as lutas históricas e a importância de honrar as mulheres do passado que lutaram pelos direitos femininos. Já no segundo instante foram apresentadas experiências empreendedoras como a criação do sabão do leite de cabra e da palma.
O secretário da Sedap-PB, Júnior Nóbrega, enfatizou a importância do projeto “Encontro de Mulheres do Agro” como forma de reconhecimento e valorizar o trabalho feminino no campo. “É fundamental valorizar a presença da mulher no campo e o projeto traz à tona a riqueza da produção feminina. Reconhecer esse papel é entender a essência da zona rural, das raízes, das pessoas e mostrar às novas gerações os caminhos para que possam se desenvolver, fazendo com que toda a sociedade cresça”, comentou.
A assessora de Gestão Social da Sedap-PB, Márcia Dornelles, ressaltou a necessidade de celebrar o futuro que são as novas gerações, mas honrando as anteriores por todas as lutas e conquistas. Ela alertou que, muitas vezes, as jovens de hoje desfrutam de espaços conquistados sem ter pleno conhecimento da história daquelas que as antecederam e que, com imenso sacrifício, alicerçaram os caminhos atuais. Da mesma forma, destacou a importância fundamental de honrar e conhecer de perto as histórias das mulheres que residem no próprio município, compreendendo que cada passo dado hoje também serve para pavimentar a estrada por onde passarão as gerações futuras.
“O futuro é jovem, mas é preciso honrar o passado, essas mulheres que vieram antes de nós. Cabaceiras sempre abraçou o projeto ‘Encontro de Mulheres do Agro'. É um município de economia solidária, uma economia que pensa em todos, homens e mulheres, no produtor, no meio ambiente, onde todos ganham, onde a gente tem um universo onde a mulher possa empreender”, pontuou.
A primeira-dama de Cabaceiras, Herika Fabrícia de Morais Aires, destacou o compromisso com a manutenção de espaços de debate e valorização da mulher. “É um momento muito especial para nós mulheres. É um momento de desenvolver o valor da mulher e aí você tem o ‘Encontro de Mulheres do Agro’, que não vem só refletindo as mulheres do agro, mas as mulheres como um todo, mulheres que dão as mãos e que têm que fortalecer esse vínculo”, apontou. Ela complementou: “Trazer essa palestra para cá é grandioso para nós mulheres empreendedoras ou não. Porque a gente tem que construir essa rede para a mulher”.
O “Encontro de Mulheres do Agro” em Cabaceiras começou com um pocket show do “caricantor” Sócrates Gonçalves. Já a professora e poetisa Juliana Soares apresentou, em fala e também em versos, “Todas nós já penamos, lutamos... Gostaria de honrar todas as mulheres que vieram antes de nós, que lutaram, as muitas que morreram para termos avançado até aqui”, destacou.
Do sabão do leite de cabra à criação de animais
A programação prosseguiu com várias mulheres mostrando exemplos de empreendedorismo, criatividade, talento e coragem, como a criação de sabonetes feitos a partir do leite de cabra e da palma. As professoras Ana Amélia Macedo e Alessandra Meira, que atuam na coordenação do projeto da Escola Técnica Estadual Antônio Juarez Farias, de Cabaceiras, explicaram a proposta feita com uma turma formada por cerca de 30 alunos do 2º ano do Ensino Médio.
A professora Ana Amélia contou que a ideia surgiu após ela tomar o tradicional “Banho de Leite de Cabra”, uma comemoração típica dos eventos da caprinocultura. Ela disse que percebeu que a brincadeira deixou os seus cabelos mais saudáveis e pensou se era possível ter um sabonete feito de leite de cabra. “Foi após esse banho de leite de cabra que eu comecei a pesquisar, buscar informações, mobilizar a turma para por em prática o projeto, já que é uma Escola Técnica”, rememorou Ana Amélia Macedo.
Procurando por a ideia em prática, ela acabou encontrando a professora com formação farmacêutica Alesandra Meira. Foi então que elas avançaram com o projeto da produção do sabonete artesanal feito de leite de cabra e, também, a partir do óleo de palma, planta muito comum na região do Cariri paraibano. Os alunos se envolveram e com a realização de testes se chegou à fórmula tradicional, o “Be Clean” e mais duas versões para aproveitar todo o material e evitar o desperdício, uma delas esfoliante.
“Uma coisa que me marcou muito foi quando fomos mostrar para os alunos que é possível empreender. Cabaceiras é uma terra de produtores, de ideias. Foi muito emocionante”, frisou Alessandra Meira. Ela acrescentou: “Transformar o leite de cabra em um novo produto referência em biotecnologia foi muito importante”.
O dinheiro da comercialização do sabonete é revertido para a produção e, também, para os estudantes empreendedores visando a viabilização de uma viagem dos estudantes para conhecerem o mar. “Muitos nunca viram o mar e tem esse sonho. Pode parecer simples, mas muitos não têm condições e o projeto tem esse objetivo”, destacou Alessandra.
Já a artesã Claudiene aprendeu com o pai a arte de manipular o couro. Porém, um dia ele decidiu parar a produção e se desfazer dos equipamentos. Os irmãos não quiseram seguir a tradição familiar, mas ela pediu ao pai as máquinas. “Era eu, um sonho, seis peles e as máquinas”, apontou, acrescentando: “Deixei de fazer roupa de vaqueiros e comecei a mexer como uma mulher empreendedora”. Foi aí que ela partiu para fazer peças menores, com desenho próprio e criou toda uma coleção de objetos de beleza como colares, pulseiras e outros itens de ornamentação.
Outro exemplo de empreendedorismo e ocupação de espaços é a senhora Telma Soares. Ela quebrou resistências, deixou o cultivo da agricultura por determinação médica e faz história. Ela é criadora de caprinos e não se inibe de ir para as baias e participar das exposições, um espaço majoritariamente ainda masculino.
Telma Soares lembrou que o desafio de criar caprinos foi lançado pelo marido após um contato com outros criadores que forneciam leite para a cooperativa Capribov. “Eu soube como era a criação e me perguntou. Eu topei na hora. Isso faz 24 anos”, comentou. Para ela, a criação de animais é mais que um trabalho. “Eu vejo o amor, vejo a necessidade de ensinar. Aquilo que eu aprendi eu passo para os outros mais jovens”, comentou.
A criadora acrescentou: “O sucesso é aquilo que você faz para melhorar a vida das outras pessoas”. Sobre a saúde, ela contou que a lida com os animais é mais flexível que a lavoura, com horários que exigem um esforço menor e, portanto, não atrapalham a sua saúde.
Ao término, todas as mulheres que apresentaram suas histórias foram homenageadas ao receber um troféu do Projeto “Encontro de Mulheres do Agro” em reconhecimento pelas suas lutas e conquistas.
Fonte: Repórter PB
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