
28/09/2026 às 18:54


O avanço ocorreu mesmo com o Tesouro resgatando R$ 84,43 bilhões em títulos a mais do que emitiu. Isso porque a incorporação de R$ 88,39 bilhões em juros mais que compensou o efeito dos resgates e manteve o estoque da dívida em alta.
A maior parte da dívida está concentrada no mercado doméstico.
A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) recuou 0,05% em agosto e terminou o mês em R$ 8,944 trilhões.
Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) avançou 2,41%, para R$ 348,26 bilhões, dos quais:
Um dos destaques do relatório foi o aumento da participação dos títulos vinculados à taxa Selic.
A parcela desses papéis passou de 51,11% em julho para 52,74% em agosto, o maior nível da série histórica, segundo o Tesouro.
A composição da dívida ficou da seguinte forma:
O Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 prevê participação entre 49% e 53% para os títulos atrelados à Taxa Selic. A estimativa foi revista para cima no mês passado.
O prazo médio da dívida também apresentou melhora em agosto. O indicador passou de 4,05 anos para 4,10 anos.
Ao mesmo tempo, a parcela da dívida com vencimento em até 12 meses caiu de 18,91% para 16,39%.
O custo médio acumulado em 12 meses passou de 12,45% ao ano, em julho, para 12,59% ao ano, em agosto.
A reserva de liquidez do Tesouro Nacional, conhecida como colchão da dívida, caiu 11,89% em termos nominais durante agosto.
O volume passou de R$ 1,37 trilhão em julho para R$ 1,208 trilhão no mês seguinte.
Apesar da redução, o Tesouro informou que o nível atual é suficiente para cobrir aproximadamente 7,18 meses dos vencimentos da dívida.
A reserva reúne recursos destinados exclusivamente ao pagamento da dívida e valores em caixa provenientes da emissão de títulos.
A participação de investidores estrangeiros no estoque da dívida interna também aumentou. A fatia passou de 9,82% em julho para 9,91% em agosto.
Em valores nominais, o estoque de títulos em poder de investidores não residentes no país subiu de R$ 879,07 bilhões para R$ 886,3 bilhões.
As instituições financeiras continuam como os principais detentores dos títulos, com 31,22% do estoque.
A dívida pública pode aumentar mesmo quando o governo resgata mais títulos do que emite.
Foi o que ocorreu em agosto: o Tesouro realizou um resgate líquido de R$ 84,43 bilhões, mas os juros incorporados ao estoque chegaram a R$ 88,39 bilhões.
Na prática, os juros acrescentados ao saldo devedor superaram o efeito da redução provocada pelos resgates.
O Tesouro informou ainda que o cenário internacional continua marcado por volatilidade, enquanto a composição da dívida vem refletindo o ambiente de juros elevados e incertezas.
O Tesouro mantém para 2026 a previsão de que a Dívida Pública Federal termine o ano entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
Segundo o órgão, a expectativa é reduzir gradualmente a participação dos títulos de taxa flutuante caso o país volte a registrar superávits primários de forma estrutural.
Por meio da dívida pública, o governo pega recursos emprestados dos investidores para honrar compromissos. Em troca, compromete-se a devolver o dinheiro com alguma correção, que pode ser prefixada (definida com antecedência) ou seguir a Taxa Selic, a inflação e o câmbio.
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