
19/09/2026 às 10:30


É caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura, sobretudo nas pernas, coxas e quadris. Em alguns casos, também atinge os braços.
A publicitária Jéssica Jaroszewski é uma delas. E só aos 27 anos teve o lipedema identificado, mesmo já tendo observado o problema desde criança:
"Quando eu tinha aproximadamente 23 anos, 24, eu fui num vascular para investigar insuficiência venosa porque eu estava cheia de hematomas e muitas dores nas pernas, principalmente panturrilha e acima do joelho. O vascular não me falou que eu tinha lipedema, ele usou a expressão: 'Você tem uma celulite inflamada', e me deu um remédio para circulação e 'vai para casa que não tem muito o que fazer'. Passaram-se vários anos e quando eu tinha 27 anos, eu perguntei para um dermatologista se o que eu tinha era lipedema, pois eu já tinha ouvido falar em lipedema, eu batia os sintomas e eu me identificava. E ele olhou e falou assim: 'É lipedema, a desproporção do teu quadril, coxas com a parte de cima do teu corpo, tenho certeza que é'."
Atualmente, Jéssica faz tratamento e não tem mais nenhum sintoma do lipedema. E reforça que a doença vai muito além da questão estética:
"Para além da estética, essas mulheres, principalmente as mais pobres que não têm condição de procurar um médico particular e tratar o lipedema em graus como 3 e 4, até mesmo a mobilidade dessa mulher é reduzida, porque existem complicações no lipedema que afetam pé, joelho e podem atrapalhar e deixar essa mulher com problemas motores. Então, é muito importante que a gente veja o lipedema como uma doença sistêmica que é, e não mais como um cunho estético."
Diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, o médico Antonio Carlos de Souza afirma que a gordura acumulada gera muita dor:
"Diferentemente da obesidade comum, essa gordura costuma ser dolorosa, sensível ao toque, pode formar nódulos, causar sensação de peso nas pernas, cansaço e uma maior facilidade para o surgimento de manchas arroxeadas, como se fossem hematomas. É uma doença crônica, multifatorial, que tem características sim, genéticas, inclusive. Não é uma condição passageira e curável."
O médico destaca que o tratamento deve ser individualizado e multiprofissional, e deve vir antes de qualquer procedimento invasivo, como cirurgia:
"Não existe uma única medida que resolva todos os casos, não existe um remédio único. A base do tratamento é o tratamento mais conservador, que inclui orientações alimentares específicas, o controle de peso, exercício físico de baixo impacto, eventualmente fisioterapia, drenagem linfática, uma terapia de compressão — a utilização de alguns dispositivos que comprimem —, cuidados com a pele, controle da dor e, de uma forma geral, um acompanhamento com vários especialistas, inclusive o cirurgião vascular e angiologista."
No Brasil, tramita na Câmara dos Deputados desde novembro de 2023 um projeto de lei que dispõe sobre a atenção às pessoas com lipedema no SUS, Sistema Único de Saúde.
Entre os pontos do documento estão a elaboração e adoção de protocolos clínicos e terapêuticos para a doença e a realização de ações e campanhas de divulgação, assim como os serviços disponíveis para diagnóstico e tratamento.
O projeto de lei ainda aguarda parecer da relatora na Comissão de Finanças e Tributação.
*Com produção de Eulícia Maria
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