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Eventos climáticos extremos afetam rotina e aprendizado nas escolas

Rádio Agência

17/09/2026 às 09:55

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A crise climática chegou às salas de aula, alterando a rotina escolar e prejudicando o aprendizado de crianças e adolescentes. De acordo com especialistas, o problema se divide em dois eixos principais: a queda no rendimento escolar e a vulnerabilidade estrutural das escolas para suportar e reduzir os efeitos de eventos extremos.

Com a previsão de que o fenômeno El Niño ganhe força e se estenda até 2027, as redes públicas de ensino de todo o país estão sendo orientadas a adotar medidas preventivas contra os riscos decorrentes dos impactos climáticos.

As recomendações estão em uma nota técnica elaborada por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden, em parceria com instituições de ensino e pesquisa e com o Instituto Alana, de defesa da infância e adolescência.

Soluções capazes de combinar adaptação, gestão de riscos e transição para práticas mais resilientes de proteção da comunidade escolar são urgentes, destaca Leila Vendrametto, gerente de Natureza do Instituto Alana.

"As nossas mais de 150 mil escolas públicas não foram planejadas para suportar a intensificação desses eventos extremos, né? E que mais de 40 milhões de crianças e adolescentes estão expostos a riscos de inundação, escassez hídrica e calor extremo. E mais de 370 mil crianças estudam em escolas situadas em áreas de riscos nas capitais brasileiras. Então só diante desses grandes dados a gente já consegue trazer aqui a evidência da necessidade dos gestores públicos se debruçarem sobre essa temática, né? E buscar coletivamente respostas, né, e soluções."

Na avaliação da especialista, as mudanças climáticas deixaram de ser um cenário hipotético e distante para ocupar o centro do cotidiano escolar. Ela chama a atenção para o fato de que as limitações estruturais afetam de forma desproporcional populações com base em critérios de cor e raça.

 "A emergência climática ela afeta de forma desigual as populações, né? E o racismo ambiental ele expõe determinados territórios e grupos sociais com menor acesso a mecanismos de proteção e recuperação. E então a importância, né, de trazer essa corresponsabilidade legal e ética diante do direito à educação, à vida e ao desenvolvimento integral, ela é um imperativo para toda a sociedade."

Leila Vendrametto detalha as etapas para a preparação das unidades de ensino diante das consequências dos eventos climáticos.

 "Existe uma uma questão do do ciclo de gestão de riscos que a gente olha para as quatro etapas, que é a prevenção, é a preparação, que a gente já sabe que territórios mais vulnerabilizados estão mais expostos, a resposta, então durante, né, o processo da emergência, né, de uma situação de evento extremo, e a recuperação, a regeneração. Essas quatro etapas elas são fundamentais para gente conseguir se organizar e concentrar nossos investimentos na preparação e na prevenção, né? A gente olhar para a prevenção antes de tudo."

A nota técnica orienta a criação de planos para situações de emergência, a definição de canais de comunicação com as escolas e o acompanhamento dos alertas dos órgãos oficiais. E prevê ainda que as medidas adotadas devem considerar as características de cada região, além das condições sociais, culturais e de acessibilidade.

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