
25/05/2026 às 16:40
Com mais de 200 acordos entre universidades brasileiras e 38 países africanos em vigência, o presidente Lula defendeu a autonomia das universidades e o papel dessas instituições na resistência aos horrores.

“A extrema direita não tolera a autonomia das universidades. Querem calar professores e estudantes e coibir a diversidade. Nega a ciência, censura as artes e transforma a sala de aula em instrumento de dominação. O pensamento crítico caminha lado a lado com a luta anticolonial e o combate ao racismo, à misoginia, à xenofobia e a todas as formas de discriminação. As universidades seguirão como bastiões da resistência aos horrores cometidos em todas as guerras. A extrema direita teme a educação porque sabe que é onde nasce a consciência.”
A declaração foi feita nesta segunda-feira, no Dia da África, durante a abertura do primeiro Fórum de Reitores Brasil-África, em Brasília. Segundo Lula, a ideia do fórum é ampliar os mais de 200 acordos e programas de mobilidade estudantil e intercâmbio científico. Para o presidente, as parcerias têm muito a contribuir no combate à fome e às mudanças climáticas.
Ao destacar a inteligência artificial como ferramenta estratégica, Lula criticou o colonialismo digital.
“A inteligência artificial é uma ferramenta estratégica, mas o colonialismo digital é uma ameaça real nas mãos de poucos países e poucas empresas. Os algoritmos se transformaram em instrumento de dominação.
Sem investir em infraestrutura digital, não será possível superar carências crônicas em alta tecnologia, saúde, cultura e educação básica. Os modelos de linguagem da inteligência artificial precisam ser construídos também em português e nas muitas línguas dos povos africanos.”
Na abertura do evento, o presidente Lula também criticou a guerra no Irã e atribuiu a incapacidade coletiva de dialogar ao fato de a ONU estar paralisada.
Presente no evento, a reitora da Universidade Pública de Cabo Verde, Astrigilda Silveira, destacou os pontos prioritários para o avanço nas parcerias entre as universidades africanas e brasileiras.
“Mecanismos concretos de apoio à mobilidade acadêmica, à dupla certificação, à investigação aplicada e ao desenvolvimento de incubadoras, laboratórios colaborativos e redes universitárias voltadas para transformação digital, inteligência artificial, transição energética, alterações climáticas, segurança alimentar, empreendedorismo e inclusão social.”
Representando as instituições de ensino superior brasileiras, estava a reitora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Georgina dos Santos, que lembrou a ligação histórica entre África e Brasil.
“Estamos ligados pela dolorosa travessia transatlântica que nossos ancestrais foram obrigados a realizar no século XVI. Isso permanece marcado ainda hoje nas condições de vida de pessoas como nós pelo mundo.
A descolonização africana no século XX representa uma ruptura direta e corajosa com quatro séculos de dominação europeia. A liberdade que hoje comemoramos não foi concessão, mas uma conquista histórica contra estruturas de opressão que tentaram, sem sucesso, silenciar a voz e o destino de um continente e de um povo inteiro.”
Lula ainda anunciou um programa que vai criar 2.600 bolsas para mestrandos e doutorandos africanos estudarem no Brasil por até 10 meses.
O encontro, que segue até esta quarta-feira, busca fortalecer e ampliar a cooperação em educação superior entre universidades brasileiras e instituições de todo o continente africano. Para isso, o evento promove acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas estratégicas.
O primeiro Fórum de Reitores Brasil-África, que reúne 70 reitores brasileiros e 64 representantes de mais de 30 países africanos, é coordenado pelo Ministério da Educação, pela CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, e pela ANDIFES, Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior.
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