
25/05/2026 às 21:01
Na capital paulista, centrais sindicais e movimentos populares reuniram manifestantes, nesta segunda-feira (25), pelo fim da jornada 6x1. A votação da PEC que reduz a jornada de trabalho, com a garantia de dois dias de descanso na semana sem redução salarial, está prevista para votação na Câmara ainda nesta semana.

A mobilização teve início em frente ao Masp, o Museu de Arte de São Paulo, na Av. Paulista, e reuniu trabalhadores e trabalhadoras que encaram a realidade de apenas um dia de descanso na semana. É o caso da Creuza de Jesus, que trabalhou como auxiliar de limpeza por mais de vinte anos.
“Não tinha tempo para nada, nem para descansar, porque, quando estava de folga, tinha que arrumar a casa, cuidar de marido. Muito puxado”, diz.
Emilene Dias, coordenadora estadual da Central de Movimentos Populares, destaca o quanto a escala 6x1 pesa ainda mais para as mulheres:
“O fim dessa escala é muito importante, porque é a mulher que carrega mais essa carga. Então, pelo fim dessa escala, a mulher vai ter seu direito ao lazer, olhar mais pelos seus filhos, pelo seu lar. Porque não é só trabalhar, trabalhar. Precisamos de um lazer, precisamos de um convívio com as nossas famílias também no dia a dia.”
Para a Ivanete Péricles de Lima, que trabalhou como auxiliar de limpeza na escala 6x1, dois dias de descanso na semana teriam possibilitado mais tempo de convívio com os seis filhos:
“Eu trabalhei muito mesmo, cheguei a ficar doente, porque eles me punham para trabalhar na chuva e tudo. [...] Depois eu me formei cuidadora, mas, primeiro, trabalhei em limpeza. Trabalhei muito mesmo. Fiquei doente. O meu braço dói de tanto que eu pegava peso, e eles nunca compensam nem nada. É uma tristeza, viu? Meus filhos foram criados sem mim, porque eu trabalhando, todo tempo eu trabalhei.”
As centrais sindicais saudaram o entendimento da Câmara dos Deputados sobre a redução da jornada e devem seguir mobilizadas até a aprovação definitiva da proposta.
Lutemberg Nunes, presidente do Sindicato dos Químicos de São Paulo, fala sobre a previsão de transição de um ano para a jornada de 40 horas:
“É um avanço, mas não o esperado pelo movimento. Nós gostaríamos muito que a redução da jornada de trabalho fosse imediata. É um avanço, mas frustra um pouco a necessidade da classe trabalhadora.”
Nesta segunda-feira, além de São Paulo, outras capitais, como Vitória, São Luís, Cuiabá, Rio de Janeiro e Aracajú, também tiveram atos pelo fim da escala 6x1.
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