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Viva Maria e o direito de quem não gosta de Carnaval

Rádio Agência

12/02/2026 às 08:49

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Oi, oi, gente amiga desse nosso programa, que hoje, muito especialmente, é dedicado a todas as pessoas que, contrariando Dorival Caymmi, não gostam de samba, muito embora não sejam ruins da cabeça nem doentes do pé. Palavra de quem se dedica a percorrer as avenidas da alma e do comportamento humano. Eu estou falando da querida Lydia Rebouças, psicóloga da Universidade da Paz.

Paz e bem, minha amiga.

"Alô, Mara Régia, queridas e queridos ouvintes, que bom estar junto de novo."

Pois é, estamos às vésperas do início oficial do Carnaval.

Queremos saber de você: por que nem todo mundo nasce com a vocação de gostar de Carnaval? Isso é vocacional?

"Eu acredito que cada um de nós nasce com um jeitão. Às vezes a gente tem uma tendência para gostar, e outros não gostam de jeito nenhum. Mas isso também pode ir mudando. Pode ser que alguém que sempre gostou, neste ano esteja mais quietinho. O importante é respeitar o jeito que a gente está a cada momento, acolher essa quietude, sossegar o facho, ler um livro, andar em paz, fazer coisas mais tranquilas, se for isso que a nossa alma estiver pedindo."

Aí você disse tudo. O importante é ouvir a voz que vem do coração — e nem sempre dá samba.

"E não tem problema se não for samba. Não tem problema. Você pode ouvir o canto dos pássaros, o som da chuva e entrar numa vibração de desaceleração, que é muito importante para a alma. Conseguir quietar mesmo. Não ficar fazendo faxina direto, arrumando tudo, sem parar. Não vale. Porque, às vezes, se você está querendo uma pausa, é para ficar mais quieto mesmo e descansar."

Agora, nossas músicas carnavalescas quase sempre insistem em dizer que quem não gosta de samba é ruim da cabeça, né? E que, se você não pula Carnaval, não sabe o que está perdendo; que o bom é pular, dançar até cair.

"Quando a gente está a fim, tem que dançar e pular, até cair. Mas não dançar para agradar ninguém ou para parecer isso ou aquilo. É saber o que o nosso coração está pedindo. Se não estiver pedindo, está tudo bem, não tem problema nenhum.

E quem não gosta de samba é bom sujeito também. Acho que todo mundo gosta de samba em algum momento, mesmo que seja só para ouvir a canção. Mas, se nesse momento você não estiver nessa onda, é se respeitar."

Aliás, tem até aquela música: “Olha a onda, olha a onda...”

Agora, quanto aos foliões e às folionas, principalmente, é bom não esquecer o “não” em casa, né? Dizem que no Carnaval vale tudo, vale quem vier. Mas é importante que a gente não perca a dimensão dos nossos limites, não?

"Exatamente. Quem for para os blocos, para a rua, para a avenida, para os bares, precisa respeitar os limites, respeitar o próprio corpo, respeitar o desejo. Não vamos fazer nada para agradar ninguém, nem porque estamos encabulados. Vamos exercer essa liberdade de colocar limites e só fazer se o nosso coração pedir."

Pois é. E, nesse período pré-carnavalesco, tivemos um exemplo disso lá em São Paulo, no Ibirapuera, onde a população praticamente invadiu o espaço que estava devidamente cercado. Foi algo muito preocupante.

Felizmente, o pior não aconteceu. Mas como abrir um carnaval de rua com um milhão e 200 mil foliões acompanhando blocos, quando a lotação prevista era de 600 mil? Praticamente dobrou-se o público — e a gente já sabe: quando se dobra a expectativa, a situação pode ficar incontrolável. Vemos isso também nos estádios de futebol. Foi muito perigoso.

"O que era para ser alegria virou preocupação, dor e tristeza para muita gente. Então vamos cuidar nesse Carnaval. Se você gosta de pular, que possa tirar as máscaras e ser feliz. E, se não gosta, que possa ficar quietinha, fazer o que o coração está pedindo — que às vezes é simplesmente não fazer absolutamente nada, esticar as pernas e descansar."

Aliás, não há coisa melhor para a gente se sentir verdadeiramente feliz do que estar em segurança, sem riscos, respeitando todo mundo — e, acima de tudo, honrando a própria natureza.

E, para terminar, sabemos que a Unipaz, há muitos carnavais, promove retiros espirituais. Fale para nós sobre a importância de esquecer a folia e se conectar com outras energias igualmente poderosas.

"Exatamente. A Unipaz promove vários retiros. Em Brasília haverá uma vivência de yoga no domingo de Carnaval. Em outros estados, as pessoas podem buscar informações na internet. São momentos para voltar para casa — no sentido de voltar para a nossa verdadeira natureza — e viver um tempo de autocuidado, tranquilidade e paz."

Muita gente tem curiosidade sobre o que se faz em um retiro de Carnaval.

"Depende do retiro, mas geralmente há práticas como yoga, meditação e encontros em contato com a natureza, como momentos junto à cachoeira. São experiências de autoconhecimento vividas, em geral, em meio à natureza."

Uma prática de yoga e meditação nos leva quase sempre a um patamar de boas energias, comparável a um banho de cachoeira como aquela da Unipaz. Ali a gente lava a alma, se embala no bloco do eu sozinho, com alegria e satisfação.

"Vamos lembrar também que a melhor companhia pode ser a nossa própria. Às vezes você pode estar sozinha nesse Carnaval, mas em boa companhia — a sua própria companhia. Pode ser prazeroso, tranquilo, um momento para descansar. Aliás, essa palavra é mágica: descansar."

E eu estou no bloco do Tim Maia: “Ora bolas, não me amola, o que eu quero é sossego.”

Tá feito o nosso bloco aqui no Viva Maria. Viva você.
Lydia, muito obrigada. Boa meditação, bom descanso, amiga.

10:35

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