
27/01/2026 às 22:04
Na manhã desta terça-feira (27), manifestantes se reuniram em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para cobrar a condenação dos policiais acusados de matar Thiago Menezes Flausino, de 13 anos. O crime aconteceu em 2023, na Cidade de Deus. Os PMs Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria vão a júri popular por homicídio e fraude processual.

Priscila Menezes Gomes de Souza, mãe de Thiago, disse que o sonho do filho era ser jogador de futebol profissional. Ela reforçou o pedido por justiça:
"Nada que a gente faça vai trazer o Thiago, um adolescente, um menino que tinha o sonho de ser jogador de futebol, que tinha uma frequência escolar de 90,95%, porque eles vêm o tempo todo marginalizando o Thiago. É como se o Thiago tivesse cometido um crime naquela noite. Mas quem cometeu o crime foram eles, e é por isso que eles vão sentar no banco dos réus. Eles têm que ser responsabilizados pela covardia que eles fizeram com o meu filho. Três tiros de fuzil. Se eles achavam que era suspeito, eles tinham que ter abordado."
Os PMs admitiram, em depoimento, terem disparado contra Thiago. Eles também respondem por fraude processual, pela tentativa de implantar uma arma na cena do crime para sustentar a versão de que teria acontecido um confronto.
Quatro policiais militares foram inicialmente identificados e presos pelo envolvimento na morte de Thiago. Mas, em junho de 2025, o Tribunal de Justiça determinou a soltura de dois deles, por entender que não teriam participado diretamente do homicídio.
Para a diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, a morte de Thiago foi resultado de uma série de erros e violações:
"Grave violação de direitos humanos, onde tudo que foi feito, foi feito errado. Foi feito errado matar uma criança, foi feito errado o estado do Rio de Janeiro achar que a sociedade do Rio de Janeiro vai achar certo a polícia suspeitar, julgar e matar, de forma instantânea, um menino de 13 anos. Tudo errado."
Thiago foi assassinado quando andava na garupa de uma motocicleta na principal via de acesso à Cidade de Deus. Ele foi atingido por três disparos de arma de fogo. O adolescente não portava arma e não havia confronto no momento em que foi baleado.
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