
19/01/2026 às 14:21
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que a fiscalização de fundos de investimentos fique centralizada no Banco Central e deixe de ser feita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ele participou nesta segunda-feira (19) de uma entrevista no programa UOL News.

Segundo o ministro, a proposta está em estudo dentro do governo federal, e seria uma forma de melhorar o combate a fraudes como o caso Master.
"Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM. E na minha opinião, equivocadamente. O Banco Central tem que ampliar o seu perímetro regulatório e passar a fiscalizar os fundos. Porque existe hoje uma intersecção muito grande entre fundos, entre as finanças."
Fernando Haddad afirmou que Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, herdou o problema do Master da gestão anterior.
"O Banco Master não cresceu na gestão atual. Nesse ano que o Galípolo descascou o abacaxi, e descascou o abacaxi com a responsabilidade de ter, ao final do processo, um processo robusto para justificar as decisões duras que teve que tomar. Mas isso foi uma herança. O Galípolo herdou esse enorme problema."
O Ministério da Fazenda soltou uma nota nesta segunda em que afirma que Fernando Haddad não tratou da situação do BRB com o governo do Distrito Federal ou com a direção do banco. A manifestação veio após notícias na imprensa de que ele teria pedido ao governo de Brasília um prazo para um repasse de R$ 4 bilhões ao Banco de Brasília, que tem negócios investigados com o Banco Master.
Durante a entrevista, o ministro afirmou que não se incomoda com as críticas de que teria aumentado impostos, porque quem passou a pagar mais tributos foi quem não pagava ou pagava pouco, ou seja, bancos, bets e bilionários, disse ele.
"A taxação 'BBB' saiu do papel, com o apoio da oposição, inclusive, que acabei de aprovar no Congresso Nacional, e Banco, Bet e Bilionário (BBB) foram taxados. Então eu assumo que essa turma que não pagava imposto, sim, voltou a pagar. Então se a oposição quiser bater bumbo em torno disso, à vontade. Estou feliz de vocês lembrarem que eu sou o ministro da Fazenda que teve coragem de taxar o andar de cima."
Fernando Haddad ainda defendeu que a fiscalização sobre o Pix não é para taxar, mas para combater a lavagem de dinheiro. E lembrou da investigação sobre os postos de gasolina do PCC.
"Por que a pessoa vendia R$ 0,50 mais barata da gasolina? Não é por causa do cartão de crédito ou do Pix. É porque aquele combustível estava adulterado, ou aquele combustível tinha outra fonte de procedência, ou porque ele estava lavando dinheiro usando combustível. Temos que fiscalizar."
O ministro, que está de saída do governo, afirmou que não pretende concorrer nas próximas eleições.
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