
04/01/2026 às 07:30
O diagnóstico científico para o planeta Terra em 2025 é de alerta vermelho. No oitavo episódio do podcast S.O.S! Terra Chamando!, especialistas de diferentes áreas destacam a necessidade da humanidade atuar pela segurança ambiental.

O Brasil ocupa um papel central nesse cenário de emergência. Com a Floresta Amazônica atuando como um gigantesco regulador térmico e reservatório de carbono, qualquer avanço do desmatamento compromete o "sistema respiratório" global.
O professor Paulo Artaxo (USP) explica que a perda de cobertura vegetal não gera apenas aquecimento local. "Se este carbono for deslocado para a atmosfera através do desmatamento e da degradação, podemos agravar em muito o efeito estufa global e levar o planeta a um colapso do sistema climático", afirma. Os impactos já são sentidos na economia, com a alteração do regime de chuvas que afeta o agronegócio e a geração de energia hidrelétrica.
Outro ponto central do episódio é a discussão sobre os Limites Planetários, conceito criado em 2009 para definir o espaço seguro de operação da humanidade. O cientista e ambientalista Alexandre Costa traz um prognóstico sombrio: dos nove limites essenciais para o equilíbrio da Terra, seis já foram ultrapassados, incluindo clima, biodiversidade e poluição química. A regeneração, segundo Costa, não acontece da noite para o dia. Mesmo com ações imediatas, o planeta levaria séculos para estabilizar as temperaturas e milênios para equilibrar a química dos oceanos.
Diante da gravidade dos dados, o episódio também desconstrói a ideia de que a exploração espacial seria uma rota de fuga para a espécie humana. Ricardo Ogando, do Observatório Nacional, reforça que Marte ou qualquer outro destino espacial exigiria um estilo de vida artificial, caro e extremamente hostil. "É muito mais barato ficar na Terra e cuidar dela. Essa é uma conta fácil de fazer", resume o astrônomo.
O episódio é um convite à reflexão entre causas e consequências que nos trouxeram até aqui, reforçando que, sem planeta saudável, não há futuro para a civilização.
👉 Ouça agora e siga o podcast S.O.S! Terra Chamando!, no seu tocador favorito!
💻 Em breve com interpretação em Libras no canal da Rádio Nacional no YouTube.
💬 Você pode conferir, no menu abaixo, o roteiro base do episódio, a tradução em Libras e ouvir o podcast no Spotify.
S.O.S! Terra Chamando! -Saturação Baixa (Para Humanos)
🎵 Abertura 🎵
🎵 Barulho hospital marcador de sinais vitais 🎵
Dr. Cruz (Pablo Aguilar): Vamos manter esse nível de sedação, para que a Terra fique o mais confortável possível! Os pulmões da paciente já apresentam uma discreta melhora.
Terra (Georgiana Góes): ….(Respiração ofegante)
Dr. Cruz: …..mas precisamos aumentar a dosagem da noradrenalina, a pressão arterial da paciente está baixa. Agora... agora é aguardar que a Terra reaja!
🎵 Barulho hospital marcador de sinais vitais 🎵
🎵 Sobe Som 🎵
Adrielen Alves: Nada ainda. Ou melhor, quase nada. A Terra segue em ventilação mecânica, sedada, entubada. Mas uma fagulha de esperança foi trazida pelo Dr. Cruz. Na nossa novela cheia de fortes emoções, os pulmões da paciente estão dando sinais de recuperação.
Dr. Cruz: Vamos ser bem cautelosos… é uma discreeta melhora.
Adrielen: Aqui, na vida real, poderíamos associar essa “diiscreta melhora” ao esforço ainda diminuto de governos em combater o desmatamento. Mas já é um começo! Enquanto ações mais efetivas não vêm, estamos todos esperando que a Terra reaja. Até consigo imaginar o que ela diria:
Terra: POSSO NÃO REAGIR!! OU REAGIR MUUUITO MAL! OU REAGIR NO MEU TEMPO, NÃO NO SEU!
Adrielen: E, com todo o respeito: é aí que o bicho pega! Há quem diga que ainda dá tempo para a humanidade. E há cientistas dizendo que “infelizmente, o tempo acabou!”
Dr. Cruz: Eu diria que as próximas 48 horas são fundamentais!
Adrielen: Bom, e se a vida está em risco na Terra, será que a solução seria migrarmos para outro planeta?
🎵 Sobe Som 🎵
Adrielen: Eu sou Adrielen Alves, jornalista de ciência. Este é o episódio nove da primeira temporada do podcast: S.O.S! Terra Chamando! Uma parceria da Empresa Brasil de Comunicação e da Casa de Oswaldo Cruz.
🎵 Sobe Som 🎵
Ana Elisa: "Meu nome é Karima… faço parte da quinta geração nascida nesse exoplaneta descoberto por uma frota de naves originárias do continente africano... finalmente avistei a Terra... era visível o desgaste do planeta, não só por ter sido atingido por vários corpos celestes, mas também por danos provocados pelo homem na camada de ozônio."
Adrielen: Acabamos de ouvir a Ana Elisa Santana lendo um trecho do livro “O Céu Entre Mundos”, da escritora Sandra Menezes. A ficção afrofuturista se passa no ano 2.273 e mostra a saga da descendência dos terráqueos vivendo em outros sistemas estelares após a devastação da Terra.
Esfera azul, ou Pale Blue Dot, como ficou conhecido o registro mais longínquo feito da Terra em 1990 pela sonda Voyager. A foto levantou o debate sobre a existência humana em meio a um vasto universo. É aí que a ficção científica nada de braçadas com obras como “2001: Uma Odisseia no Espaço”, “Blade Runner”, “Perdido em Marte” e “Interestelar”.
Voltando pra Terra… A conquista espacial é um sonho da humanidade e temos presenciado avanços exponenciais. A Missão Artemis, por exemplo, deve levar em breve a primeira mulher à Lua. O passo seguinte é seguir para Marte, em parcerias entre a Nasa e a Space X. Mas, e aí? Topa morar em Marte?
"Como acha que seria morar em Marte?" "Eu acho que morar em marte seria bem desafiador, mas eu acho que eu toparia! Seria muito bom deixar meu nome na história!".....
Adrielen: Daria certo “pularmos” do planeta azul para o planeta vermelho?
Dr. Cruz : Mas Marte não seria o vizinho da Terra? Ela já disse que são bem diferentes….
Adrielen: Com a palavra os especialistas. Ricardo Ogando, astrônomo do Observatório Nacional:
Ricardo Ogando: "Marte é um planeta bem menor do que a Terra, a atmosfera dele é muito, muito tênue. A gravidade é baixa para manter água e ar. Na média, não é um ambiente propício."
Dr. Cruz: Hipotermia e radiação solar, sem chance!
Adrielen: Simone Daflon, astrônoma do Observatório Nacional:
Simone Daflon: "Para os astrônomos, não tem planeta B. Essa história de pegar uma nave e ir para outro planeta é ficção científica. Temos um planeta maravilhoso e achamos que podemos sair daqui para um planeta que nem oxigênio tem? Cientificamente é um desafio, mas não para a humanidade se mudar para lá."
Dr. Cruz: Sem oxigênio? Seríamos todos entubados?
Adrielen: O climatologista e guardião planetário, Carlos Nobre:
Carlos Nobre: "Chegar a Marte é curiosidade científica. É completamente sem sentido imaginar que a condição climática vai tornar o nosso planeta inabitável e buscar levar as pessoas para Marte. É uma busca de uma coisa que não precisa ter sentido."
Dr. Cruz: A fisiologia humana não resiste a essa loucura!
Adrielen: Exato. O blog Ciência de Fato, da Unicamp, listou nossos desafios: Ponto 1 - sem traje especial, nosso sangue ferveria pela baixa pressão. Ponto 2 - estresse térmico. Ponto 3 - dependência total de tecnologia para reciclar água e produzir oxigênio. E por fim, a saúde emocional em um deserto gelado.
Terra : SE LIGA! MARTE JÁ TEVE RIOS E ATMOSFERA… E OLHA HOJE A SITUAÇÃÃÃ! TÔ FORA!
Adrielen: Bem lembrado! Marte já foi quente e úmido, com rios e lagos. Lá vem um pensamento intrusivo da Terra, de novo.
Terra: ÊTA, ÊTA! SE JÁ FOMOS PARECIDOS NO PASSADO.. SERÁ QUE SEREMOS PARECIDOS NO FUTURO???
Adrielen: Calma! Até agora, é Terra valendo! Nada de planeta A, B ou C… é planeta T, de Terra!
🎵 Sobe Som 🎵
Dr. Cruz: A Terra tem lutado bravamente…. Vamos reduzir a sedação e avaliar como ela se comporta.
Terra: Eu preciso viver
Dr. Cruz: Equipe médica, vamos nos preparar para a extubação…
🎵 Sobe Som 🎵
Adrielen: No episódio dez: a reabilitação da Terra em curso.
🎵 Sobe Som 🎵
Adrielen: Este é o S.O.S! Terra Chamando! O podcast sobre a saúde do planeta. Uma co-produção da Empresa Brasil de Comunicação e da Casa de Oswaldo Cruz.
Eu sou Adrielen Alves, responsável pela idealização, roteiro e apresentação. A pesquisa e a produção são de Anita Lucchesi e Teresa Santos.
A edição de conteúdo é da Julianne Gouveia. A revisão e locução de trecho do livro “O Céu Entre Mundos” é da Ana Elisa Santana.
Fazem parte da Comissão Técnico-Científica: Carlos Machado de Freitas, Carlos Henrique Assunção Paiva, Diego Vaz Bevilaqua, Dilene Raimundo do Nascimento, Magali Romero Sá e Tereza Amorim Costa.
Os atores são Georgiana Góes e Pablo Aguilar. O apoio à produção ficou por conta de Adriana Ribeiro e Victor Ribeiro. A operação de áudio é de Álvaro Seixas, Thiago Coelho, Reynaldo Santos, Thales Santos e Reinaldo Shiro.
A edição final e a sonoplastia são da Pipoca Sound. Este episódio usa áudios dos astrônomos Ricardo Ogando e Simone Daflon e do climatologista Carlos Nobre.
Até a próxima!
🎵 Vinheta de Encerramento 🎵
🎵 Som de fita voltando 🎵
Beatriz Arcoverde: Também contribuíram na Coordenação de Processos, implementação e publicação nas plataformas: Equipe da Radioagência Nacional - EBC, Interpretação em Libras: Equipe de tradução da EBC, na edição de vídeo para o youtube: Mateus Araújo e o responsável pela arte: Vinícios Espangeiro.
Para ler no celular, basta apontar a câmera