
06/01/2026 às 13:35
O ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu um traumatismo craniano após cair durante a madrugada e bater a cabeça em um móvel na cela onde está custodiado, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A informação foi confirmada nesta terça-feira (6) pelo cirurgião Cláudio Birolini, médico responsável pelo acompanhamento clínico do ex-chefe do Executivo, em declaração à CNN Brasil.
O episódio veio a público inicialmente por meio de relato da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirmou ter havido demora no atendimento médico em razão de a sala onde o ex-presidente se encontra permanecer fechada. Até o fechamento desta matéria, o médico Cláudio Birolini não havia informado se a equipe médica solicitará exames complementares para avaliar a extensão do impacto craniano.
A ocorrência acontece poucos dias após Bolsonaro receber alta hospitalar. Ele esteve internado desde 24 de dezembro, quando passou por cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral, além de outros três procedimentos realizados para conter crises persistentes de soluço. Durante a internação, exames indicaram quadro de esofagite, gastrite e picos de pressão arterial, resultando também na prescrição de medicamentos antidepressivos.
Diante do novo episódio, a defesa voltou a questionar as condições de custódia, argumentando que o ambiente da Sala de Estado-Maior não garante repouso adequado nem preservação da saúde do custodiado. Entre os pontos citados está o funcionamento contínuo do sistema de ar-condicionado, que, segundo os advogados, comprometeria o descanso e a recuperação clínica.
O tema já havia sido analisado anteriormente pelo Supremo Tribunal Federal. Em decisão recente, o ministro Alexandre de Moraes negou pedido de prisão domiciliar humanitária apresentado pela defesa. Na ocasião, o magistrado destacou que a unidade da Polícia Federal dispõe de médicos de plantão, acesso irrestrito aos profissionais indicados pelo custodiado e logística imediata para remoção hospitalar em casos de urgência, além da proximidade com hospital particular.
Moraes também ressaltou que a concessão de prisão domiciliar é regra aplicável a condenados em regime aberto, o que não se enquadra na situação de Bolsonaro, que cumpre pena inicial em regime fechado após condenação a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. A decisão ainda mencionou o histórico de descumprimento de medidas cautelares, incluindo a violação do uso de tornozeleira eletrônica.
Com a confirmação médica do traumatismo craniano e a alegação de atraso no atendimento, o caso tende a reacender o debate jurídico e político sobre as condições de custódia do ex-presidente, ao mesmo tempo em que amplia a pressão por avaliações clínicas mais detalhadas para esclarecer a gravidade do quadro e os desdobramentos do episódio.
Fonte: Repórter PB
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