12/08/2025 às 16:54
Quase uma semana após o início do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal ainda finaliza um plano de contingência para amenizar os impactos das tarifas sobre os itens exportados. Após o envio da proposta pelo Ministério da Fazenda, o presidente Lula deve bater o martelo até esta quarta-feira (13). É o que afirmou nesta terça-feira, o ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa.
“O presidente Lula tem buscado se colocar à disposição para negociar. O Congresso aprovou uma lei autorizando o presidente, inclusive, a tomar medidas de reciprocidade. E hoje, ou amanhã, após ele decidir, essas medidas serão anunciadas. Eu não posso, aqui, antecipar. A ideia geral é apoiar, estimulando que essas empresas possam redirecionar, inclusive, seus produtos para outros países. Então, a ajuda passará por abrir novos mercado pra nossos produtos e também apoiar com, eventualmente, linhas de financiamento pros setores exportadores”.
Rui Costa deu a estimativa durante entrevista à rádio Alvorada, da cidade baiana de Guanambi. O ministro não descartou que o presidente Lula opte por devolver na mesma moeda, acionando a lei de reciprocidade. No entanto, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Geraldo Alckmin, já havia antecipado que o governo não pretende fazer essa retaliação contra o país norte-americano, mas resolver a questão, já que ele considera preocupante a situação econômica de alguns setores brasileiros, como é o caso da carne, do café e da indústria de máquinas e motores.
Outro ponto que gera incertezas sobre a intenção de o governo Trump negociar as tarifas, é que foi cancelada uma reunião que iria ocorrer nesta quarta, entre o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.
Um levantamento da FIEMG, Federação das Indústrias de Minas Gerais, aponta que 55% das exportações brasileiras são afetadas com a taxação, que pode comprometer 147 mil empregos aqui no país. Segundo a entidade, os setores mais atingidos pelo tarifaço, no Brasil, são a siderurgia, a fabricação de produtos de madeira, de calçados e de máquinas e equipamentos mecânicos. Na agropecuária, principalmente a cadeia da carne bovina, que foi taxada também.
No Rio Grande do Sul, mais de 85% das exportações industriais foram taxadas em 50% pelo governo Trump. De acordo com a FIERGS, Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, entre os cinco estados brasileiros que mais vendem para os Estado Unidos, o estado gaúcho é o mais impactado pela medida, já que no ano passado foram exportados mais de US$ 1,8 bilhão para o país. Desse total, mais de US$1,5 bilhão estariam taxados se a norma já estivesse valendo.
A federação ainda cita forte impacto também em outros estados: Minas Gerais, teve cerca de 63% dos produtos taxados; São Paulo cerca de 57%; Espírito Santo 53% e Rio de Janeiro 32%.
3:16Continuar lendo ...Para ler no celular, basta apontar a câmera