
09/02/2026 às 18:27
O Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, inaugurou nesta segunda-feira (9) a exposição "Mulheres Invisibilizadas", que permanece em cartaz até o dia 22 de fevereiro. A mostra resgata trajetórias de mulheres brasileiras cujas histórias foram apagadas ao longo do tempo e promove reflexão sobre memória, direitos e enfrentamento da violência de gênero.
A iniciativa é resultado da parceria entre o Ministério Público Federal (MPF), instituições de segurança pública e a rede de saúde, fortalecendo o compromisso coletivo com a proteção e valorização das mulheres. Aberta ao público, a exposição já passou por outras instituições e chega ao hospital como espaço simbólico de conscientização e acolhimento.
Como o maior hospital público de urgência e emergência do Estado, a unidade recebe grande parte das vítimas de violência atendidas na rede. Somente em 2025, foram registrados 383 casos de agressão direta contra mulheres. A equipe destaca, porém, que os dados ainda são subnotificados, já que muitas vítimas não chegam ao serviço de saúde ou não formalizam denúncia.
O diretor-geral do Hospital de Trauma, Laércio Bragante, ressaltou o compromisso da unidade no acolhimento às vítimas. "Buscamos ser um porto seguro para essas mulheres, oferecendo atendimento humanizado e garantindo o encaminhamento adequado para a rede de proteção", afirmou.
A procuradora do Ministério Público Federal, Janaína Andrade, destacou que a exposição reforça o papel do hospital como espaço de acolhimento. "É importante reforçar que a mulher pode procurar diretamente a unidade, sem necessidade prévia de boletim de ocorrência. Aqui ela recebe atendimento médico, acolhimento e orientação para acessar a rede de proteção", ressaltou.
Segundo a procuradora, as primeiras 72 horas após a violência são decisivas para a realização de exames e medidas de proteção. "Quando fortalecemos a integração entre saúde e sistema de justiça, garantimos que essas mulheres tenham acesso não apenas ao tratamento médico, mas também à proteção e garantia de direitos", pontuou.
A delegada de Polícia Civil e coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher da Paraíba, Sileide Azevedo, destacou a relevância da atuação conjunta. "A violência contra a mulher atinge mulheres de diferentes realidades sociais e níveis de escolaridade. Quando dialogamos sobre esse problema, avançamos no combate", frisou.
Ela ressaltou a importância do encaminhamento às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. "É essencial que as mulheres atendidas no hospital também sejam encaminhadas às DEAMs, onde terão acesso às medidas de proteção previstas na Lei Maria da Penha", explicou.
O procurador-chefe da Procuradoria da República na Paraíba, José Guilherme Ferraz da Costa, destacou o significado da iniciativa. "Ao trazer à luz trajetórias de mulheres que foram silenciadas, reafirmamos o compromisso das instituições públicas com a dignidade humana e a justiça social", ressaltou.
Entre as homenageadas está Margarida Alves, símbolo da luta pelos direitos das mulheres e dos trabalhadores rurais, cuja história segue inspirando gerações. A exposição também dialoga com temas de saúde pública e combate à violência de gênero, reforçando a importância de dar visibilidade a mulheres historicamente marginalizadas.
Mais do que uma homenagem, a mostra se consolida como espaço permanente de reflexão. Os painéis permanecem como marco simbólico e alerta sobre a urgência do enfrentamento da violência contra a mulher, fortalecendo a integração entre saúde, justiça e segurança pública na construção de uma sociedade mais justa e segura para todas.
Fonte: Repórter PB
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