Sousa/PB -
Investigação

Áudios revelam que delegado preso na PB mandou escrivão falsificar registro de apreensão de drogas

Dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça, oito já foram cumpridos.

Da Redação Repórter PB

11/07/2026 às 08:45

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Imagem Delegado Braz Morroni

Delegado Braz Morroni ‧ Foto: Reprodução/Arapuan

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Áudios obtidos pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) revelam que o delegado Braz Morroni, preso na Operação Perfídus, orientou um escrivão a registrar um boletim de ocorrência com dados falsos para encobrir o desvio de drogas na Polícia Civil da Paraíba.

As investigações apontam que a organização criminosa, integrada por agentes públicos e traficantes, utilizava a estrutura do Estado para desviar entorpecentes e pode ter movimentado cerca de R$ 10 milhões nos últimos quatro anos.

De acordo com o relatório da Draco, o delegado instruiu o escrivão, identificado como "Quinze", a falsificar a data e a dinâmica de uma apreensão ocorrida em 11 de outubro de 2025 no bairro de Crimes Contra o Patrimônio, em João Pessoa, oficializando o registro apenas no dia 17 do mesmo mês.

Dados de GPS da viatura e fotos apagadas recuperadas do celular do delegado confirmam que ele e o investigador Eduardo Jorge, conhecido como "Mão Branca", estiveram no imóvel no dia do recolhimento do material. Enquanto o boletim oficial contabilizou apenas 1,5 kg de entorpecentes, a perícia técnica estima, com base nas imagens dos pacotes, que o volume real confiscado passava de 100 kg.

A rede criminosa contava com uma divisão clara de tarefas. O agente Everton Aires, o "Bomba", atuava como o elo central entre os policiais e o tráfico. "Mão Branca" era responsável por monitorar carregamentos concorrentes com rastreadores e estocar o material subtraído em sua própria residência. Já o delegado Braz Morroni utilizava o cargo para blindar os subordinados e participava diretamente do rateio dos lucros.

O esquema consistia em receber denúncias de traficantes sobre a localização de drogas de grupos rivais, realizar a apreensão oficial de uma quantidade mínima e revender o restante para os próprios informantes. Dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça, oito já foram cumpridos.

Fonte: Repórter PB

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