
16/06/2026 às 20:14
Representantes do Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), além do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e do Ministério Público da Paraíba (MPPB) participaram, na manhã desta segunda-feira (15), da abertura da missão institucional in loco para acompanhamento do cumprimento de sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) relacionadas a casos ocorridos na Paraíba.
A reunião foi realizada na sede do MPPB, em João Pessoa, e marcou o início de uma agenda de trabalho voltada ao fortalecimento da cooperação institucional entre órgãos federais e estaduais na implementação de decisões internacionais de direitos humanos.
A iniciativa é considerada um marco institucional por ser organizada de forma conjunta entre os Ministérios Públicos Federal e Estadual e o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania, para reunir, de forma articulada, órgãos do sistema de justiça, instituições governamentais e representantes de políticas públicas para discutir medidas concretas destinadas ao cumprimento das sentenças proferidas nos casos Da Silva e Outros vs. Brasil e Muniz da Silva e Outros vs. Brasil . A missão ocorre entre os dias 15 e 17 de junho e tem como objetivo promover o cumprimento digno, célere e responsável das decisões da Corte Interamericana, além de fortalecer mecanismos de prevenção à repetição de violações de direitos humanos.
Esta é a primeira missão realizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania em parceria com o Ministério Público para acompanhamento local do cumprimento de sentenças da Corte Interamericana. A Paraíba também se torna o primeiro estado a sediar uma iniciativa desse formato, reforçando o papel das instituições locais na promoção e defesa dos direitos humanos.
O encontro dessa segunda-feira foi dedicado à apresentação das sentenças internacionais e ao diálogo entre os órgãos envolvidos sobre as medidas necessárias para sua implementação. A programação incluiu a exposição dos principais pontos resolutivos das decisões e a apresentação do estágio atual de cumprimento das obrigações impostas ao Estado brasileiro.
Para o procurador federal dos Direitos do Cidadão, subprocurador-geral da República Paulo Thadeu Gomes da Silva, a missão inaugura uma nova forma de atuação cooperativa entre as instituições brasileiras. "Esta missão possui um significado histórico para a promoção e a defesa dos direitos fundamentais no Brasil. Em um país de dimensões continentais, a efetivação dos direitos humanos exige a atuação articulada entre diferentes instituições e esferas de governo. O que estamos inaugurando aqui é uma experiência concreta de federalismo cooperativo, na qual órgãos federais e estaduais unem esforços para cumprir decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos e transformar essas determinações em ações efetivas de proteção às vítimas e de prevenção a novas violações”, afirmou.
Paulo Thadeu ressaltou, ainda, que a Paraíba assume um papel pioneiro nesse processo, assim como a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, que participa pela primeira vez de uma missão com esse formato. “Trata-se de um marco institucional que reforça o compromisso do Estado brasileiro com os direitos humanos e com o cumprimento de suas obrigações internacionais”, finalizou.
Também participaram da reunião representantes da Advocacia-Geral da União, do Tribunal de Justiça da Paraíba, da Procuradoria-Geral do Estado, da Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, da Secretaria de Estado das Mulheres e da Diversidade Humana, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Defensoria Publica Estadual, entre outros órgãos e instituições parceiras, além de representantes dos peticionários.
Casos acompanhados - A missão tem como foco principal o acompanhamento das sentenças proferidas pela Corte Interamericana nos casos Da Silva e Outros vs. Brasil e Muniz da Silva e Outros vs. Brasil, ambos relacionados a graves violações de direitos humanos ocorridas no contexto da violência no campo na Paraíba.
O caso Muniz da Silva e Outros vs. Brasil refere-se ao desaparecimento forçado do trabalhador rural e defensor de direitos humanos Almir Muniz da Silva, ocorrido em 2002 após denúncias relacionadas à violência agrária na região de Itabaiana. A Corte Interamericana responsabilizou internacionalmente o Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado da vítima e pela falta de diligência nas investigações e buscas realizadas ao longo dos anos.
Já o caso Da Silva e Outros vs. Brasil trata da responsabilidade internacional do Estado pela falta de investigação eficaz e pela situação de impunidade relacionada ao assassinato do trabalhador rural Manoel Luiz da Silva, ocorrido em 1997, no município de São Miguel de Taipu, em contexto de conflito agrário. A Corte reconheceu a ausência de resposta estatal adequada diante das violações e determinou medidas de reparação e prevenção.
Além desses dois casos, a agenda institucional realizada na Paraíba também dialoga com o cumprimento da sentença proferida no caso Barbosa de Souza e outros vs. Brasil, relacionado ao assassinato de Márcia Barbosa de Souza, cuja programação específica será desenvolvida em atividade própria ao longo da semana.
No âmbito do Ministério Público Federal, os casos Da Silva e Outros vs. Brasil e Muniz da Silva e Outros vs. Brasil vêm sendo acompanhados localmente pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão na Paraíba, que atua na articulação institucional e no monitoramento das medidas necessárias à implementação das determinações da Corte Interamericana.
A missão institucional reafirma o compromisso das instituições brasileiras com o cumprimento das obrigações internacionais assumidas pelo país em matéria de direitos humanos. Conforme destacado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a atuação conjunta entre as esferas federal e estadual representa um passo fundamental para assegurar justiça, memória e não repetição de violações, fortalecendo a proteção dos direitos fundamentais e a efetividade das decisões do Sistema Interamericano de Direitos Humanos.
Fonte: Ascom/MPF
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