
10/02/2026 às 14:45
A campanha ‘Mesmo que ninguém veja’, fruto de um Termo de Cooperação firmado entre a Arquidiocese da Paraíba e o Tribunal de Justiça (TJPB), foi apresentada durante a primeira reunião do ano do Clero Arquidiocesano, realizada nesta terça-feira (10), em João Pessoa. Ao menos 150 padres, diáconos e seminaristas tiveram a oportunidade de compreender o objetivo da parceria que é conscientizar, prevenir e acolher, fortalecendo uma cultura de respeito e dignidade da mulher.
Coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJPB, a juíza Graziela Queiroga, fez uma explanação detalhando os números crescentes da violência doméstica e chamando a atenção do clero para o papel importante que cada religioso terá na disseminação da mensagem de respeito e proteção às mulheres a partir dessa campanha que será iniciada no dia 8 de março e segue até 8 de dezembro, data em que a Igreja Católica celebra Nossa Senhora da Imaculada Conceição.
“A nossa fala hoje teve muito mais esse viés de explicar onde padres, diáconos e seminaristas se inserem nesse contexto, enquanto padre, enquanto religioso, enquanto igreja. Compreendemos aqui que tivemos uma boa aceitação naquilo que nós nos propusemos a fazer, para depois iniciarmos durante todo esse processo, a questão realmente formativa e educativa, que é o que propõe a campanha durante todo o ano”, explicou a magistrada.
De acordo com os dados apresentados, em 2025, no Brasil, quatro mulheres foram assassinadas por dia. Foram 1.470 feminicídios consumados, e mais de 3.800 tentativas. “Eu estou falando do ápice da violência, porque ninguém começa um relacionamento matando”, colocou a juíza Graziela Queiroga.
O arcebispo da Paraíba, Dom Manoel Delson, evidenciou o objetivo da campanha e da parceria. “O que nós queremos é que os padres levem essa mensagem para todas as paróquias, todos os movimentos, comunidades. Nós temos uma presença capilar em todas as realidades da nossa Arquidiocese, e essa mensagem deve chegar a todos. O cuidado, a preocupação que nós temos com essa situação da violência contra a mulher e o que podemos fazer para nos conscientizar de que esse não é o caminho. O caminho é o cuidado, o respeito”, ressaltou.
Formação - Seis equipes foram formadas para desenvolver a campanha. Elas foram divididas entre os setores do Judiciário, o jurídico da Cúria Metropolitana, a de estudo das estatísticas de violência contra a mulher, a de eventos, a de comunicação e a de formação dos religiosos que terão acesso a conhecimentos como as instituições que integram a rede de proteção à mulher.
“Organizamos uma equipe que estará, ao longo do mês, estudando sobre as questões relacionadas à violência contra a mulher. A partir do dia 8 de março, começamos as duas etapas da própria campanha, através de uma etapa que é formativa, vamos nas comunidades, nas paróquias, em todos os lugares que formos chamados ou que encontrarmos um espaço para educar as pessoas acerca do feminicídio, mas também de todos os tipos de violência”, pontuou o padre Mário Silva, assessor eclesiástico da Comunicação da Arquidiocese,
A segunda fase da campanha é a de disseminação da informação. “Vamos fazer o máximo de parcerias possíveis para que chegue a todas as pessoas através, dos meios de comunicações, das forças que têm as redes sociais, usando já a malha que nós temos disponível e externas também, formando cada vez mais parceiros para que essa mensagem acerca da proteção da vida da mulher chegue a todas as pessoas”, completou.
Fonte: Repórter PB
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