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Empresas acordam pagamento de salários na quarta-feira e motoristas suspendem paralisação que aconteceria neste dia 22

Entre os fatores que levaram as empresas a essa situação, destaca-se a concorrência desleal dos transportes clandestinos, a migração dos passageiros para outros modais

A paralisação dos motoristas de transporte público de João Pessoa, anunciada para acontecer nesta terça-feira (22), não será mais realizada. A decisão foi tomada durante uma reunião que aconteceu na sede da Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob), na noite desta segunda-feira (21), entre empresários do setor e representantes do Sindicato da categoria. Ficou acordado durante o encontro, intermediado pelo superintendente da Semob, Adalberto Araújo, que as empresas pagarão a quinzena dos motoristas nessa quarta-feira (23)

Com dificuldades que se agravam há anos, resultado de uma crescente perda de arrecadação, em função da brusca queda de passageiros do sistema de transporte, as empresas há muito estão operando no limiar e, em muitas ocasiões, tendo que recorrer a bancos para complementar o pagamento de suas contas, entre as quais se destaca o custo com a folha de pessoal, a maior despesa do setor, seguida com os custos com combustíveis. “A conta não fecha há algum tempo, haja vista o número de empresas que faliram, fecharam e saíram do mercado. A tarifa hoje é alta para a população, porque cada vez mais, menos gente divide os custos do transporte público, e também não remunera a operação, porque sempre está defasada em relação aos aumentos de insumos e custos do setor. É uma equação difícil”, destaca o diretor da Unitrans, Alberto Pereira.

Entre os fatores que levaram as empresas a essa situação, destaca-se a concorrência desleal dos transportes clandestinos, a migração dos passageiros para outros modais, como motos e bicicletas e, mais recentemente, a invasão dos serviços de veículos que fazem transporte remunerado via aplicativos.

“Vivemos o pior momento do setor no país e isso não é discursos de quem quer impressionar, mas uma triste realidade que precisa ser mostrada a sociedade porque é ela que, fatalmente, sofrerá o maior impacto com o comprometimento de um serviço essencial para o dia a dia das cidades”, reitera o diretor institucional do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (Sintur-JP), Isaac Júnior Moreira. O sistema de transporte público de João Pessoa é formado por dois consórcios: Navegantes, com as empresas Santa Maria, São Jorge, Mandacaruense e Marcos da Silva e o Unitrans, integrado pela Transnacional e Reunidas.

Repórter PB

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