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Metodologia SER EJA Cidadã: Matrículas da Educação de Jovens e Adultos crescem 33%

A Rede Estadual da Paraíba conta com 481 com a modalidade EJA, o que representa mais de 58 mil alunos

O projeto SER EJA Cidadã, lançado no segundo semestre de 2018 pela Secretaria de Estado da Educação e da Ciência e Tecnologia (SEECT), conquistou os alunos da modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), aumentando o número de matrículas para este ano. No ano passado, 28 escolas participaram da fase piloto: 25 Escolas Cidadãs Integrais que também ofertam a Modalidade EJA nas cidades de João Pessoa, Bayeux, Santa Rita e Campina Grande, e mais três escolas que ofertam a modalidade EJA Presencial e Semipresencial na cidade de João Pessoa. Ao todo foram 3.500 alunos beneficiados com o SER EJA Cidadã. Em 2019, estas escolas já aumentaram em 33% os números de matrículas na EJA, 4.669 matrículas realizadas, ampliando a oferta de ensino nesta modalidade educacional. A Rede Estadual da Paraíba conta com 481 com a modalidade EJA, o que representa mais de 58 mil alunos.

A proposta metodológica SER EJA Cidadã tem como centralidade o sujeito de direitos, os estudantes, despertar o encantamento da comunidade escolar para o protagonismo pedagógico na Educação de Jovens e Adultos a partir das trajetórias de vidas, dos sonhos e da efetivação de direitos desses sujeitos.

A Escola Cidadã Integral Técnica Alice Carneiro, no bairro de Manaíra, em João Pessoa, é um exemplo. De acordo com a gestora, Neuzângela Dantas, em 2018 o número de matrículas era 250 alunos, em 2019 subiu para 380 alunos com 130 matrículas de novatos. A escola teve mais procura de vagas, mas não fez listas de espera porque as salas estão lotadas. O crescimento no número de matrículas de um ano para outro se deu principalmente em decorrência do alinhamento da gestão, coordenação e professores.

“Passamos a incentivar a participação dos estudantes, o que os tornou agentes integrantes e participativos no processo educativo. Outro quesito importante foi a participação da equipe no projeto SER EJA Cidadã que vem proporcionado maior desenvoltura de toda equipe docente e discente” destacou a gestora.

Outra escola que também se destacou com o aumento de vagas foi a Escola Cidadã Integral Cônego Francisco Gomes de Lima, no bairro do Geisel. Segundo a gestora Marly dos Santos, em 2018 a matrícula final na EJA foi 161. Este ano de 2019 já estão com 227 matrículas realizadas. Foram formadas nove turmas de Ensino Médio, de 20 a 25 alunos em cada turma, a escola recebe novos alunos que estão procurando vagas para essa modalidade.
“Depois da formação no SER EJA, os professores ficaram motivados, mobilizamos toda a equipe escolar para a divulgação das vagas por meio de panfletos, carro de som e evento. Eu penso que essa metodologia veio como uma inclusão, como um incentivo para os estudantes dessa modalidade”, disse a gestora.

O professor de Matemática, Luiz Vicente Ferreira, destacou a importância do projeto. “A EJA precisava de um significado, de ser reconhecida, e foi isso que aconteceu com a implantação do SER EJA Cidadã. Os alunos se sentem à vontade, seguros e principalmente passaram a ver em nós: professores, coordenadores, supervisores e pessoal de apoio, que estamos ali para trabalhar juntos. São 22 anos de sala de aula”, ressaltou.

Vicente ainda falou sobre a formação realizada pela Secretaria de Estado e da Ciência e Tecnologia, por meio da Gerência Executiva da Educação de Jovens e Adultos. “O foco da nossa formação foi trazer o aluno para o protagonismo e mostrar para ele que ele é a essência, que ele tem que exercer o papel principal em todo processo educacional”, observou.

A estudante do 3° ano Rosicleide de Farias se sente feliz com o apoio da comunidade escolar. “A gente que trabalha sofre muito com horário, temos muitas dificuldades, mas os professores estão aqui para ajudar a gente. Ter esse apoio e dedicação dos professores, da coordenação, é muito bom. Estamos felizes e motivados. Se a gente não entende um assunto, o professor sempre está à disposição para explicar quantas vezes for preciso. Ano passado engravidei e não pude estudar, esse ano os professores estão dando suporte para que eu consiga concluir o segundo grau”, falou.

Metodologia - O exercício de metodologias ativas proporcionou uma transformação pedagógica nas escolas: a diminuição da evasão escolar, promoção do protagonismo dos estudantes e a interação entre a comunidade escolar. Os estudantes vivenciaram nas escolas o protagonismo potente de sua cidadania e a capacidade de reinventar a si mesmo, a sua trajetória escolar e o seu projeto de vida.

O processo de formação inicial e continuada teve como elementos articuladores a pedagogia de projetos, pedagogia da presença e a teoria da problematização. Foram realizados fóruns temáticos, no qual os estudantes escolheram os fenômenos/temas a serem pesquisados e os professores construíram a mediação pedagógica interdisciplinar entre conteúdos e saberes que consideraram as trajetórias de vida dos estudantes da EJA.

Repórter PB

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