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Em Salvador, projeto acolhe responsáveis por crianças neurodivergentes

Rádio Agência

22/09/2026 às 19:05

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Durante o mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida, o Centro Especializado em Reabilitação da Barra, em Salvador, lança luz sobre um tema urgente: o esgotamento emocional de mulheres que acompanham a rotina de tratamento e desenvolvimento de crianças neurodivergentes.

A psicóloga Josenilda Liberato explica que a assistência de uma criança no espectro autista envolve um processo contínuo de adaptação e expectativa. Muitas vezes, nessa jornada é comum que a mãe seja vista apenas pelo papel de cuidadora, enquanto suas próprias necessidades emocionais e físicas são deixadas de lado.

"Eu costumo dizer que, quando o diagnóstico entra por uma porta, a maioria dos maridos, os homens, sai por outra. E essas mulheres acabam ficando sozinhas, sentindo-se sobrecarregadas, porque entendem e interiorizam que precisam dar conta de tudo".

Projeto Afago

Para evitar a exaustão extrema, o acolhimento precisa vir de todos os lados: família, sociedade e serviços de saúde. Pensando nisso, o Centro Especializado em Reabilitação da Barra criou o Projeto Afago, que oferece acolhimento e suporte emocional especializado para pais e responsáveis por crianças e adolescentes neurodivergentes atendidos na unidade.

Entre marcar consultas, mediar crises e buscar direitos, o tempo da mãe atípica para olhar para si simplesmente desaparece. A artesã Jamile Paixão, mãe do pequeno Henrique, encontrou no Afago a escuta e o acolhimento de que precisava.  

"Porque é o momento em que você está ali com outras mães que também estão vulneráveis, também estão cansadas. E você pode compartilhar a rotina, conversar e desabafar sem o medo do julgamento".  

Garantir suporte psicológico às mães atípicas não é apenas uma questão de empatia, mas uma medida essencial para a eficácia do próprio tratamento da criança.

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