
21/07/2026 às 09:52
Praias e balneários recebem um número cada vez maior de banhistas. Junto com o aumento da movimentação nas águas, cresce também o risco de acidentes com arraias de água doce, animais comuns na Região Norte que costumam permanecer escondidos sobre a areia em áreas rasas.

Na maioria das vezes, a ferroada acontece quando uma pessoa pisa acidentalmente no animal, que reage em legítima defesa. Embora sejam temidas, as arraias não costumam atacar pessoas; elas utilizam o ferrão apenas quando se sentem ameaçadas. Por isso, uma das principais formas de prevenção é entrar na água arrastando os pés pelo fundo, em vez de dar passos longos. Esse movimento levanta a areia e faz com que a arraia perceba a aproximação, dando tempo para que ela se afaste.
A clínica geral Dra. Ruth Carreira dá dicas para socorrer uma possível vítima.
"O primeiro passo é manter a calma e retirar o banhista da água. Como a dor ela é instantânea e muito forte, o banhista pode desmaiar ou entrar em choque e correr o risco de afogamento. Em seguida, deve-se lavar a ferida abundantemente com água limpa para retirar resíduos como areia ou pequenos fragmentos do ferrão. Um dos cuidados mais eficazes para o alívio da dor é imergir o membro, a região afetada, em água quente ou morna, porque o calor ajuda a inativar parte das toxinas do ferrão. Lembrando que não pode ser água fervente, porque pode ocasionar queimaduras. O tempo recomendado é de aproximadamente 30 minutos. O paciente precisa ser levado o quanto antes a uma unidade de saúde, onde será feita a limpeza adequada da ferida, a avaliação da necessidade de antibióticos, analgésicos ou antitetânica, a retirada de fragmentos que podem permanecer alojados dentro da pele."
Caso uma arraia seja avistada, a orientação é manter distância e nunca tentar tocá-la, capturá-la ou retirá-la da água. Além de evitar acidentes, essa atitude contribui para a preservação da espécie, que tem papel importante no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Se ocorrer uma ferroada, a vítima deve sair da água com cuidado e procurar atendimento médico o mais rápido possível.
E dá para aproveitar o verão com mais segurança e reduzir os riscos de acidentes com esses animais. A veterinária especialista em animais silvestres, Marina Benarrós, conta que o animal não ataca, é apenas um instinto de defesa.
"Não é porque você tá passando próximo que obrigatoriamente ela vai lhe atacar. A maioria dos animais, na verdade, não tem esse comportamento. O que vai acontecer é o... a defesa no momento de ameaça, que é o que muitas vezes acontece: a pessoa não en- não enxerga o animal porque ele realmente se camufla muito bem, às vezes ele tá enterrado debaixo da areia, a gente não consegue ver, e aí pisa em cima, passa por perto, ela se sente ameaçada e aí ela vai fazer a defesa. É isso que geralmente acontece. A maioria das arraias que nós temos aqui na Amazônia são animais de beira de rio, de ambiente de lodaçal, eh áreas rasas, eh água turva. Todas elas são de água doce, né, de rio, mas é geralmente um ambiente como esse porque são animais que se alimentam de crustáceo."
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