
17/07/2026 às 10:39
Quando o médico solicita um exame de imagem, muita gente fica em dúvida sobre os efeitos da radiação. Há quem tenha receio, mas também quem admita não saber exatamente quais são os riscos. A aposentada Marise Santana é uma delas.

"Eu fico preocupada que é muito que fica toda hora pedindo para poder ver se, como é que está aqui dentro, essas coisas todas. Dá uma preocupação. Agora, eu não sei quais são os riscos mesmo. Não posso falar porque eu não sei."
A cozinheira Ana Pereira também fica apreensiva.
"Sempre, principalmente exame de mama, que diz que... que faz mal, né? Muita radiação para o organismo."
Já a recicladora Taiana Bonfim diz que o receio surgiu depois de ouvir comentários sobre os possíveis efeitos da radiação.
"Eu já vi muitas matérias falando sobre o químico que tem ali, né? É uma radiação que pode vir trazer até o câncer mesmo."
Segundo o médico radiologista João Rafael Carneiro, raio-X, tomografia e mamografia utilizam radiação ionizante. Já a ultrassonografia e a ressonância magnética não.
"O primeiro método de diagnóstico por imagem foi a radiografia e ele trouxe a possibilidade de a gente começar a tener diagnósticos olhando por dentro do corpo, vamos falar assim, sem precisar abrir, sem cirurgia. Porque, antes dos métodos de imagem, você, muitas vezes, para você ter um diagnóstico assertivo, você precisava fazer uma cirurgia para abrir e olhar. Cada vez que o exame de imagem vai evoluindo – e hoje nós temos métodos com radiação, como radiografia, como tomografia, mamografia, mas também nós temos métodos que usam outros princípios físicos, como a ressonância magnética, como o ultrassom –, cada vez que o exame de imagem evolui, você precisa ser menos intervencionista para diagnosticar com precisão."
A exposição à radiação é avaliada caso a caso e segue rigorosos protocolos de segurança.
"Porque a radiação ionizante pode, sim, causar mal ao ser humano, trazendo aí problemas de saúde, como o câncer. Contudo, para isso acontecer, a gente tem que ter uma exposição a doses elevadas, que são doses, inclusive, que, para a pessoa conseguir ter essa exposição, ela, de fato, tem que estar ali permanentemente exposta. Vou dar um exemplo: uma dose considerada segura, em média, são 50 milisiverts em um ano. Resultado: uma tomografia de abdômen, a gente vai estar falando aí em menos de 10. Ou seja, eu teria que estar fazendo aí, mais ou menos, umas, no mínimo, cinco tomografias de abdômen no ano. Vou dar outro exemplo: uma mamografia, em média, a gente está falando de 0,4. Então, 0,4, a gente tem que ter mais de 100 mamografias realizadas ao longo de um ano. Então, aí você pode colocar também raio-X, a gente teria que fazer mais de 100 raio-X por ano. Então, eventualmente, o paciente fazer um exame de imagem com radiação é uma prática médica considerada totalmente segura."
O maior risco pode ser adiar ou deixar de fazer um exame necessário.
"Quando a gente deixa de estar fazendo um diagnóstico precoce, a gente, muitas vezes, está perdendo a melhor janela de oportunidade do tratamento. Então, se eu estou sentindo alguma coisa, procuro um médico bem capacitado, com conhecimento, para me indicar o exame assertivo."
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