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Tradições da Copa voltam a enfeitar ruas pelo país

Rádio Agência

17/06/2026 às 09:41

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Mostra para esse povo que é de lei celebrar a chegada da Copa do Mundo, que começou na última quinta-feira, com o jogo de abertura entre México e África do Sul. O famoso “jogo da volta” mais demorado da história, já que as duas equipes também abriram a Copa de 2010.

Por falar em volta, a atual edição resgatou o tradicional costume de enfeitar as ruas para celebrar o Mundial e torcer pela nossa seleção. Então, trate de aquecer, pois já vai entrar em campo o segundo episódio da série sobre alguns dos costumes brasileiros em época de Copa do Mundo.

Um bom exemplo do retorno das tradições é a rua Jorge Rudge, no bairro de Vila Isabel - Zona Norte do Rio de Janeiro - que é pentacampeã como a rua mais bem decorada para a Copa do Mundo. Um penta construído na tradição que existe desde 1978. Para o funcionário público Cacau Cotta, que está presente desde 1982, esse movimento significa união.

"Eu acho que esse movimento de voltar para a rua, e as ruas estão fazendo isso, é voltar com a autoestima do carioca, voltar com a autoestima do brasileiro e mostrar também que o verde e amarelo é de todos. Esse movimento conseguiu unir as diversidades, os extremos no Brasil. O verde e amarelo está sendo de novo de todos."

A paixão pela Seleção Brasileira remonta aos tempos do governo de Getúlio Vargas, que promovia os jogos da Canarinho na Copa de 1938 para ganhar influência política e sintonizar o povo em uma só causa, como explica o professor de Jornalismo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Filipe Mostaro.

Ele percebeu como Mussolini utilizou a Copa de 1934 para exaltar a Itália fascista e como Hitler usou os Jogos Olímpicos de 1936 para exaltar a Alemanha nazista. E aí ele fez um gesto muito importante, que foi solicitar a instalação de vários alto-falantes em praças, não só no Rio de Janeiro, capital federal, mas em várias grandes cidades importantes do Brasil, para transmitir o jogo narrado pelo Gagliano Neto diretamente da França.

Pela primeira vez, todos podiam entender o que acontecia na Copa, já que o rádio tornava a comunicação mais acessível. E não deu outra, o Brasil literalmente parou para acompanhar o craque Leônidas da Silva levar o país ao terceiro lugar naquele mundial - nosso melhor resultado até então. Filipe Mostaro explica que o próprio Leônidas serviu de inspiração para as camadas populares se identificarem mais com o futebol.

"Um jovem pobre, negro, que ganha um destaque mundial através do futebol. Isso também acabou penetrando nas camadas mais populares, de entender que o futebol era não só uma manifestação cultural, mas uma chance da população menos abastada do Brasil ser vista, ser lembrada, ser reconhecida e ser entendida como: olha, isso é um brasileiro, ele tem destaque mundial."

A Copa então ganhou um poder de mobilização enorme. No ano do primeiro título, em 1958, já era possível perceber casas decoradas com fitas e bandeiras do Brasil. A prática acompanhou o sucesso da seleção nos anos 1960 e 1970, se espalhando por todo o país, principalmente após a Copa de 1982.

"E aí vários jornais, dentre eles o jornal O Globo, lançaram uma campanha e isso junta toda essa mobilização que já existia desde 1938 para que as pessoas de cada rua do Rio de Janeiro se juntassem para enfeitar a sua rua, e a que enfeitasse de uma maneira mais bonita ganharia um televisor para acompanhar os jogos da Copa de 1982. Depois desse ano, isso acaba se tornando realmente uma tradição em muitas ruas, se espalha pelo Brasil inteiro."

Mesmo com desconfianças sobre o desempenho da seleção, nossas ruas e corações ainda se enfeitam esperançosos pelo Hexa. Mas isso é papo para o próximo episódio.

Ouça também:

Episódio 1: Origem da Copa do Mundo vem de ruptura entre FIFA e COI sobre atletas

*Sob supervisão de Fábio Cardoso.

4:29

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