
28/05/2026 às 16:32
Em 31 de maio é celebrado o Dia Mundial sem Tabaco. Para marcar a data, o Inca, Instituto Nacional de Câncer, realizou um evento nesta quinta-feira (28), no Rio de Janeiro, para alertar sobre as tentativas da indústria do setor, em retardar a aplicação da resolução da Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que proíbe o uso de aditivos de sabor e aroma nos derivados do tabaco. 

A norma, de 2012, tornou o Brasil o primeiro país no mundo a proibir tais substâncias, como mentol e açúcares, que mascaram o sabor amargo de tabaco e podem facilitar a iniciação ao fumo, especialmente entre jovens.
Segundo um estudo publicado neste ano, usando informações da própria Anvisa, a proibição desses aditivos não inviabiliza a produção nacional de cigarros, como argumenta o setor. Quem explica é o pesquisador do Inca, André Szklo.
“A gente percebeu que metade das marcas de cigarro registrada na Anvisa não continham os aditivos previstos na resolução da Anvisa. Já não continham. Então, ora bolas, que argumento é esse da indústria do tabaco que fala que é inviável a produção, se esses dados mostram, confirmam que a indústria do tabaco tem tecnologia, viabilidade de produzir, de desenvolver e de registrar marcas que não contenham os aditivos. Obviamente, então, não é uma inviabilidade de produção tecnológica. É uma inviabilidade mercadológica, porque isso vai ter um efeito de marketing pra você não conseguir recrutar adolescentes e crianças pra dependência da nicotina”.
O Inca defende que a norma é essencial para proteger a saúde pública e evitar a dependência da nicotina, que aumenta o risco de doenças crônicas, como câncer, cardiovasculares e respiratórias.
Outro estudo do Inca mostra que empresas de tabaco têm utilizado ações judiciais para manter no mercado produtos com aditivos, preservando a oferta de versões mais atrativas, sobretudo para crianças e adolescentes.
O levantamento também apontou aumento expressivo no registro desses produtos com sabores nos últimos anos, principalmente os destinados ao uso em narguilés.
Criado pela Organização Mundial da Saúde, em 1987, o Dia Mundial sem Tabaco tem este ano o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”. A ideia é ampliar o debate sobre as estratégias utilizadas para atrair novos consumidores cada vez mais jovens.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, no Brasil, nada menos que 477 pessoas morrem a cada dia por causa do tabagismo. E, os custos no sistema de saúde e na economia com os males produzidos pelo cigarro chegam a R$ 153,5 bilhões por ano.
Quem deseja parar de fumar pode recorrer ao SUS, que oferece tratamento gratuito para o tabagismo.
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