
08/04/2026 às 09:52


Aguyje"!
"Eu quero só falar que o meu avô, meus ancestrais, eles sempre lutaram nessa terra. Então, quando eu cresci, eu estou lutando por isso. É verdade o que você fala, eu tenho essa vontade de lutar pelo território, pelo meu pessoal, pelos recursos naturais que a gente tem nesse território. E essa é a minha vontade, eu tenho esse interesse, eu tenho essa vontade de poder lutar, sim, pelo que a gente tem, pelas nossas terras, nossa gente. É isso que vocês falam. E, de fato, vocês reconhecem que eu sou uma liderança feminina forte, mulher forte. E eu sou assim. Enquanto eu estiver viva, vocês vão ver minha cara ainda lutando. Não chegou o fim da minha vida ainda, mas, enquanto eu estiver viva, vocês vão continuar vendo a minha luta que eu estou fazendo."
Pois é, por ironia do destino, nem mesmo seu gesto de guerra, gravado na lâmina de seu facão diante dos participantes do Primeiro Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, foi capaz de vencer a doença que tomou seu ventre, espalhando-se para tecidos e órgãos próximos. Sim, Tuíre morreu de câncer de colo do útero, doença que, infelizmente, se disseminou por toda a região pélvica. Por isso, neste 8 de abril, Dia Mundial de Combate ao Câncer, lembrar Tuíra nos convoca ao cuidado e à prevenção.
Importante também é saber que o HPV é a principal causa do câncer de colo do útero, terceiro tipo de câncer mais incidente em mulheres, com cerca de 17 mil novos casos estimados por ano no Brasil, no triênio 2023–2025.
Dados do Instituto Nacional de Câncer, o Inca, apontam 15 casos da doença para cada grupo de 100 mil mulheres no país.
Por isso, na certeza de que a prevenção é luta pela vida, reverenciamos Tuíre sem jamais esquecer que, para ela, viver sempre foi um ato de coragem.
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