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Viva Maria reverencia Tuíre e alerta para prevenção do câncer

Rádio Agência

08/04/2026 às 09:52

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Em pleno Abril Indígena, diante da presença de mais de 6 mil parentes no Acampamento Terra Livre 2026, em Brasília, até o próximo sábado (11), é impossível deixar de saudar toda a audiência desse nosso programa com uma expressão de gratidão na língua indígena:    

Aguyje"!

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Em guarani, é assim que se diz obrigada.

Muito obrigada a você que, nesta quarta-feira, vai nos emprestar o pulsar do seu coração para uma homenagem à memória da guerreira Tuíre Kayapó.

No auge de sua juventude, aos 19 anos, ela ficou mundialmente conhecida em fevereiro de 1989, ao pressionar um facão contra o rosto de José Antônio Muniz Lopes, à época diretor da Eletronorte. Seu ato de resistência ocorreu durante o Primeiro Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira, no Pará, em protesto contra a construção da então hidrelétrica Cararaô, hoje conhecida como Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Indignada com a ameaça ao território de seu povo, às margens do rio Xingu, Tuíre foi ao encontro de representantes da Eletronorte que estavam na região para apresentar o projeto. Mas, quando ouviu que a usina não causaria grandes impactos à população local, ela não se conteve. Retirou o facão da cintura e, em um gesto que correu o mundo, confrontou a fala do homem branco.

O fato ganhou manchetes internacionais. A repercussão foi tão grande que o projeto acabou sendo rebatizado e o nome Cararaô deu lugar a Belo Monte. Tuíra se transformou em símbolo internacional de resistência dos povos indígenas, e sua luta atravessou gerações.

Tuíre reafirma a força que vem de seus ancestrais e o compromisso com o seu povo:

"Eu quero só falar que o meu avô, meus ancestrais, eles sempre lutaram nessa terra. Então, quando eu cresci, eu estou lutando por isso. É verdade o que você fala, eu tenho essa vontade de lutar pelo território, pelo meu pessoal, pelos recursos naturais que a gente tem nesse território. E essa é a minha vontade, eu tenho esse interesse, eu tenho essa vontade de poder lutar, sim, pelo que a gente tem, pelas nossas terras, nossa gente. É isso que vocês falam. E, de fato, vocês reconhecem que eu sou uma liderança feminina forte, mulher forte. E eu sou assim. Enquanto eu estiver viva, vocês vão ver minha cara ainda lutando. Não chegou o fim da minha vida ainda, mas, enquanto eu estiver viva, vocês vão continuar vendo a minha luta que eu estou fazendo."


Pois é, por ironia do destino, nem mesmo seu gesto de guerra, gravado na lâmina de seu facão diante dos participantes do Primeiro Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, foi capaz de vencer a doença que tomou seu ventre, espalhando-se para tecidos e órgãos próximos. Sim, Tuíre morreu de câncer de colo do útero, doença que, infelizmente, se disseminou por toda a região pélvica. Por isso, neste 8 de abril, Dia Mundial de Combate ao Câncer, lembrar Tuíra nos convoca ao cuidado e à prevenção.

Importante também é saber que o HPV é a principal causa do câncer de colo do útero, terceiro tipo de câncer mais incidente em mulheres, com cerca de 17 mil novos casos estimados por ano no Brasil, no triênio 2023–2025.

Dados do Instituto Nacional de Câncer, o Inca, apontam 15 casos da doença para cada grupo de 100 mil mulheres no país.

Por isso, na certeza de que a prevenção é luta pela vida, reverenciamos Tuíre sem jamais esquecer que, para ela, viver sempre foi um ato de coragem.

7:07

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