
25/03/2026 às 13:34
As Nações Unidas (ONU) realizam, nesta quarta-feira (25), uma série de eventos para marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Escravos. A Assembleia Geral, na sede da organização em Nova Iorque, discute essa ordem mundial que permaneceu em vigor por mais de 400 anos e que deixou marcas profundas na sociedade até hoje.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou que mais de 15 milhões de pessoas foram arrancadas de suas famílias e comunidades na África. E aquelas que sobreviveram à viagem foram escravizadas nas Américas. Além de milhões de outras que nasceram no cativeiro, foram brutalmente exploradas e privadas de sua humanidade.
A escolha da data, 25 de março, foi feita em 2007, duzentos anos após a aprovação da lei britânica que aboliu o comércio transatlântico de pessoas escravizadas.
A expressão brasileira “para inglês ver” também tem origem nesse contexto. Ela está ligada a uma lei criada no Brasil, anos depois, que proibiu o tráfico de escravizados no papel, por pressão britânica, mas que não foi plenamente cumprida. O Brasil, que tem a maior população negra fora da África, foi o último país a extinguir oficialmente a escravidão, em 1888.
O secretário-geral da ONU ainda pediu que o mundo rejeite as falsas narrativas sobre esse período da história.
"Neste dia internacional em memória das vítimas da escravidão e do tráfico transatlântico de escravos, somos chamados a confrontar esses legados, rejeitando a falsa narrativa da diferença racial e a mentira repugnante da supremacia branca, desmantelando o racismo online, na mídia, nas escolas, no trabalho, na política e dentro de nós mesmos, e trabalhando pela verdade, justiça e reparação. Acolho com satisfação os passos iniciais de alguns governos para abordar as consequências da escravidão."
Aqui no Brasil, o dia 25 de março também marca um fato histórico importante. A data é feriado estadual no Ceará. Em 1884, a então província cearense aboliu o trabalho escravizado, quatro anos antes da Lei Áurea.
Mesmo assim, o tema infelizmente continua atual. No ano passado, a ONU denunciou o aumento global dos casos da chamada escravidão moderna, que ainda atinge cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo.
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