
09/03/2026 às 13:30
Uma trend nas redes sociais mostra homens simulando socos, chutes e facadas em mulheres caso levem um fora. Esse conteúdo começou a viralizar justamente no momento em que o cresce o debate sobre o aumento da violência contra mulheres no país.

Muitas pessoas reagiram nas redes sociais contra esse tipo de conteúdo. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) publicou um vídeo em que chamou a atenção para o assunto e afirmou que já denunciou o caso ao Ministério Público.
"Como as redes não são regulamentadas no Brasil, eles chamam isso de liberdade. Ou vão chamar de brincadeira. Um absurdo, por isso eu acionei o Ministério Público para investigar esses perfis e outros que estão cometendo esse crime de incitar o ódio contra as mulheres. E isso só mostra a urgência de regulamentar as redes sociais e também de aprovar meu projeto de lei que tipifica como crime essa misoginia coordenada e coletiva praticada nas redes sociais."
De acordo com advogada criminalista Pamela Villar, esse tipo de publicação pode ser considerado, sim, um crime: esses homens estão fazendo apologia ao crime.
"Se uma pessoa, enrasando o conteúdo da trend, agredir uma mulher por ela se recusar a se relacionar com ele, ambos responderão criminalmente por lesão corporal. E se mais de uma pessoa seguir esse mesmo script, a pessoa que fez o vídeo pode ser responsabilizado criminalmente em cada um desses delitos, separadamente, o que pode chegar aí a responsabilização criminal e penas altíssimas."
A palavra misoginia significa ódio contra mulheres. Conteúdos misóginos vêm ganhando força em grupos da “machosfera”, red pills e incels, que reúnem homens adultos e adolescentes.
Por isso, várias pessoas já defendem na internet que a misoginia se torne crime. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, em outubro do ano passado, um projeto que prevê pena de 2 a 5 anos de prisão.
Nesse contexto, responsabilizar as redes sociais ainda é difícil. Atualmente, sem uma decisão judicial, o único tipo de vídeo que deve ser retirado imediatamente é aquele relacionado a crimes sexuais, assim que a vítima notificar a plataforma. Mesmo nesses casos, a advogada Pamela Villar afirma que a chance de responsabilização é remota.
"Do ponto de vista criminal existe, ainda que seja uma possibilidade muito remota de responsabilização pelos responsáveis legais da empresa, por uma prática de um crime omissivo: você deixar de agir quando você possui ferramentas e o dever de o fazer. Embora concretamente isso seja muito difícil de acontecer".
De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país registra atualmente quatro feminicídios por dia; foram 1.547 em 2025. Todos os anos, desde 2015, esse número vem aumentando.
Somente em janeiro deste ano, 131 mulheres sofreram feminicídio, quase 5% a mais que no mesmo mês do ano passado. O primeiro mês do ano ainda registrou 5.200 estupros, cerca de 168 por dia.
Lembrando sempre que casos de violência contra mulheres podem e devem ser denunciados pelo Ligue 180.
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